Preciso deixar de ser EMO

Passara a tarde ouvindo NX Zero no quarto trancado. Havia uma maçã em cima da comôda, um revólver na gaveta do guarda-roupas e ele estava em dúvida do que pegaria primeiro. Na sua mente mil pensamentos loucos giravam. O sujeito deles todos era uma garota. A sua garota. Passava a primeira temporada longe dela. Apenas uma semana, mas estava sendo angustiante. O ciúme, tal qual uma imensa mão gelada lhe apertava o coração. Pensava na sua bela dama longe dele, perto de outro garoto, um garoto que era também apaixonado por ela. Era mesmo de enlouquecer, mas ele precisava confiar nela, confiar que o amor que nutriam um pelo outro era mais forte que qualquer desejo passageiro. Precisava desesperadamente acreditar nisso. Do contrário acabaria se decidindo pela arma…

O telefone na mesinha de cabeceira parecia chama-lo. Mas ele não iria ligar pra ela de novo, não fazia nem uma hora da última ligação. Não queria correr o risco de externar sua preocupação, sua agonia, seu ciúme. Quem sabe ela não o achasse um chato, pé-no-saco e o mandasse embora? Aí sim não haveria outra opção, abriria a gaveta e empunharia o revólver, pela última vez. Nunca acreditou muito nesse lance de matar por amor, isso pra ele era loucura, mas agora tudo parecia tão próximo, tão racional, tão viável. Quase dava razão ao rapaz que vira na televisão matando a ex-namorada e o atual parceiro desta. Quase dava razão. Quase. Apenas seu veneno era outro. Não conseguiria matar sua amada. Sua única alternativa seria colocar o cano frio na própria boca e premir o gatilho.

A tarde corria lépida e a angústia na cabeça do moço aumentava. Imaginava ela conversando com o rival. Ele sorrindo pra ela. Ela rindo de alguma piadinha dele. Isso não podia continuar. Todo o seu corpo tremia com o frio da tarde de outono e com a urgente necessidade de tomar uma decisão. A maçã seguia intacta, a gaveta continuava fechada. O que fazer? A sua indecisão frente a maçã e o revólver tinha uma razão de ser. Educado sob a ética protestante tinha medo do inferno. Ouvira um pastor definir o inferno como a materialização ad eternum dos medos de cada um. Não seria agradável viver o resto da eternidade sentindo esse ciúme odioso consumindo sua alma. Não seria capaz de se entregar a isso se houvesse ainda uma outra opção. E havia.

Com um movimento brusco o rapaz afasta uma mecha de cabelo que lhe cai sobre os olhos e pega a maçã. Após a primeira mordida vem a compreensão e a conclusão final. Preciso crescer…

Publicado em: on Junho 19, 2008 at 6:42 pm Comentários (1)

Evento do SESC

Palco Giratório do SESC leva poesia ao espaço urbano de Jaraguá do Sul e outras 18 cidades de SC

Invadir e ocupar a cidade propondo uma ruptura lúdica do cotidiano. Essa é a proposta “Das Saborosas Aventuras de Dom Quixote de La Mancha e seu Escudeiro Sancho Pança - um capítulo que poderia ter sido”, peça que faz parte do circuito de apresentações do projeto Palco Giratório, uma das ações de difusão das artes cênicas mais importantes no cenário cultural do país que é promovida pelo Serviço Social do Comércio (SESC-SC).
Encenadas nas ruas, as aventuras de um dom Quixote urbano e seu fiel escudeiro Sancho Pança propõem ao cidadão a possibilidade do jogo, em que a linearidade do cotidiano pode ser rompida a partir de uma reflexão sobre a realidade de nossas cidades, que impõe rupturas quixotescas.

O grupo O Teatro que Roda, de Goiás, adaptou as inquietações presentes no texto setecentista de Miguel de Cervantes aos tempos atuais, com o objetivo de criar uma poesia urbana sobre o sonho e a loucura. O cavalo Rocinante é a peça-chave na construção do universo quixotesco, e a ocupação de vãos da cidade com a utilização de objetos cenográficos tem a função de interferir nesse espaço. Com isso, o espetáculo busca novos significados, lançando mão de instalações, prédios e monumentos para dialogar de forma direta com os transeuntes.

A quem passa pelas ruas, as aventuras geram vários níveis de interface, desde um contato muito próximo, quase cara-a-cara, até momentos-relâmpago a alguém que passa dentro de um ônibus. A idéia é construir imagens sugestivas que permitam que os transeuntes possam lembrar e comentar aquilo que cruzou seu cotidiano.

O Grupo

O Teatro que Roda existe desde 2003 e se dedica à pesquisa e experimentação de linguagens cênicas que possibilitem ações sociais e culturais produtivas. O grupo prioriza o teatro de rua pela maior possibilidade de acesso ao público. Vem mostrando seu trabalho em vários festivais nacionais de teatro e em 2007 recebido 4 prêmios no Festival de Florianópolis, Santa Catarina (Melhor espetáculo de rua, direção, ator e atriz) e Menção Honrosa no Festival de Blumenau-SC, com o espetáculo “Das Saborosas…

SERVIÇO:
Espetáculo “Das Saborosas Aventuras de Dom Quixote de La Mancha e seu Escudeiro Sancho Pança - um capítulo que poderia ter sido”
Sinopse: Um executivo, cansado de sua rotina, resolve mergulhar num mundo imaginário em busca de aventuras e emoções. Ele passa a acreditar ser Dom Quixote de La Mancha e sai pela cidade buscando sua platônica amada Dulcinéia, que se apresenta como alucinação, vestida de noiva, durante o decorrer da história. Na sua loucura, convence um catador de papel de rua a ser seu fiel escudeiro Sancho Pança, que por sua vez, constrói com sucatas no seu carrinho o cavalo Rocinante. Juntos saem pelas ruas em busca de aventuras e cada passante, monumento e aparelhagem da cidade grande se “transforma” em feiticeiros, dragões e gigantes através dos olhos de Quixote.

Ficha técnica
Atores: Liz Eliodoraz, Dionísio Bombinha, Hugo Mor, Patrick Éster, Fernando Moterane, Ieda Marçal, Carlos Roberto
Direção: André Carreira
Figurinos e Objetos: Júlio Vann e Ilza Bicalho
Produção: Dionísio Bombinha, Liz Eliodoraz e Fernando Moterane
Preparadora Vocal: Mônica Montenegro
Preparador Corporal: Patrick Éster
Técnicos: Carlos Roberto e Tiago Gomes
Adaptação do Texto: André Carreira, Dionísio Bombinha, Hélio Fróes e Liz Eliodoraz.

Programação:

21/06, SÁBADO - Jaraguá do Sul:
HORÁRIO: A partir das 12 horas (duração do espetáculo 50 minutos)
LOCAL: Início no pátio e torre da Igreja Evangélica Luterana Apóstolo Paulo, seguindo cortejo pelo Calçadão da Marechal, até a Praça Ângelo Piazera, onde termina.
INFORMAÇÕES: SESC Jaraguá do Sul/SC (47) 3371-9177 ou 3371-8930

Publicado em: on at 6:00 pm Comentários (0)

Deus não foi a missa.

 

 

 

Deus é gaúcho, já dizia a música do Teixeirinha. O que eu sempre quis saber e nunca soube era se seria colorado ou tricolor. No fundo eu desconfiava que fosse colorado, não um colorado modinha, pós-2006. E sim um autêntico colorado daqueles que até o sangue é vermelho. Um dia desses tive a confirmação. Encontrei Deus no Beira Rio num domingo de GRENAL. Estranhei. Afinal não é sempre que se encontra Deus. Ainda mais desacompanhado. As narrativas bíblicas sempre colocam Deus no meio de um imenso séquito angelical e coisa e tal. Ali nada disso se via. Parecia ser só mais um em nada diferia dos outros torcedores. Mas tinha nele um ar divino que apesar da camisa sete á primeira vista eu reconheci. Tenho uma tia-avó que disse que a minha aura é muito clara o que me dá certa facilidade em reconhecer manifestações espirituais. Do bem e do mal. Ela até queria me levar numa amiga que é médium e não sei o que, mas quer saber, até aquele domingo eu não acreditava em nada disso. Fui chegando mais perto e sim, não havia dúvida era mesmo Deus. Acompanhado apenas de dois seguranças, anjos com certeza. Fiquei observando ali nem muito longe pra não deixá-lo fugir, nem muito perto pra não perturbar. Porém em dado momento, quando o trio se encontrava ali nas proximidades do bar perto dos elevadores das sociais eu não me contive e o abordei. Olá, eu tava aqui te observando e não pude deixar de notar, o Senhor é Deus né?

 

Eu Sou!

 

Achei o timbre da voz muito similar a do Sid Moreira, mas não quis comentar nada. Não é por nada não, mas é que sei lá, eu nunca tinha te visto por aqui e eu venho quase sempre aqui e… 

 

Ah. Em verdade em verdade te digo,

É a primeira vez que aqui venho amigo.

 

Ah ta. Mas me diz aí. O senhor é colorado?

 

Mas bá, colorado e dos quatro costados.

Inclusive me associei agora no sábado passado.

E se Deus quiser, digo, se eu quiser, e eu acho que eu quero,

Vamos chegar aos cem mil sócios no ano do nosso “centenério”.

 

Hum. Achei que mudar a palavra CENTENÁRIO só pra rimar era forçar a barra, mas sendo Deus Ele bem podia dar-se ao luxo de assim agir. Tentei pensar rápido em alguma coisa pra alongar a conversa. A maioria das pessoas com certeza já elaborou uma série de perguntas que fará se um dia finalmente encontrar Deus pessoalmente. É bobagem. Perda de tempo. Eu também tinha uma lista. Envolvia um monte de questões, falava sobre a taxa de juros, a preservação da Amazônia, o risco-país, a fome na Uganda, a guerra no oriente médio, havia até uma questão sobre a final da copa de 50, mas na hora tudo sumiu. Fiquei olhando embasbacado para a divina face e sabe, ficou um clima meio estranho. Deus com certeza notou e pra quebrar o gelo e não querendo ser mal educado convidou pra tomar alguma coisa no bar. Aceitei. Agora você deve estar pensando que passei dos limites. Imagine! Deus bebendo?! Calma, era apenas uma mineral e sem gás hein? Como se sabe não se vende mais bebida alcoólica nos estádios. Uma pena. Gostaria de saber qual a sensação de tomar uma gelada com o Todo Poderoso… Mas e aí Deus como é que ta lá o Paraíso?

 

Ah meu filho aquilo está uma chatice só.

Nos domingos então nem se fala, tenha dó.

Durante a semana ainda a gente até que se distrai

Atende-se uma oração aqui, outra ali o tempo logo vai,

Se bem que desde que com os santos terceirizamos

A procura por nossos serviços anda despencando.

É claro que não dá pra reclamar.

Aliás, seria uma boa se os evangélicos resolvessem assim rezar

Adotando alguns dos santos também.

Imagina! Seria mesmo paraíso para todo o sempre Amém.

 

Mesmo correndo o risco de ser convidado a uma visitinha permanente ao lar doce lar divino resolvi ir além. Deus, eu tenho uma curiosidade assim de saber como é que é o céu. O que vocês fazem lá e tal.

 

Então. O céu é um eterno canteiro de obras em constante ampliação.

Cada um que vai morrendo quando chega lá de volta quer sua mansão

Quer jardim, garagem, playground e tudo o mais.

E o pior é que alguns por nessa vida rezarem demais

Acabam mesmo conseguindo algo até parecido.

Também ajuda ser devoto de um santo meu amigo.

Então quando essas pessoas vão pro outro lado

Já temos de estar com tudo, tudo preparado.

 

Hum. Entendo, entendo.

 

E agora com tanta gente que vai nascendo

E outras tantas todos os dias morrendo

O paraíso está com uma explosão demográfica absurda!

Alguns conselheiros já me indagaram com expressão soturna

Por que não determinar de vez o fim do mundo?

Só assim teremos certa paz e sossego profundo.

Mas eu estou esperando. Nosso clube está com uma boa equipe.

Minha esperança é que pra Libertadores se classifique

Seria um desperdício acabar com o sonho do Bi-mundial

Por uma circunstância tão fajuta, tão mesquinha, casual…

 

Nisso, a torcida começou a fazer um barulho incrível, suspeitei que fosse o Glorioso entrando em campo. Como nem eu nem Deus queríamos perder algum lance, achei que era hora de me despedir e voltar pro meu lugar. Não queria ser inconveniente, vai que Deus me achasse um cara chato e na hora de decidir meu destino resolvesse me mandar para o inferno. Melhor não arriscar. Ele provavelmente teve o mesmo pensamento, pra não dizer que leu o meu, e se antecipou estendendo uma mão firme com um aperto ainda mais firme.

 

Até mais ver, te conhecer foi um prazer.

 

Pensei em retrucar que esperava que não fosse tão logo, mas me calei e apenas retribuí o aperto tentando sorrir ante o radiante sorriso divino (Acho que nas horas vagas Deus estrela comerciais de creme dental). Sempre acompanhado dos anjos-seguranças Deus foi entrando ali pelo meio da galera até quase sumir. Seu cabelo muito negro já ia quase se perdendo naquele mar vermelho quando me lembrei de uma última pergunta. Será que existe o Diabo? Cotovelada daqui, empurrão dali me aproximei novamente Dele.  

 

Acredito sim meu filho que exista,

Até ouvi dizer que ele é gremista,

Mas isso pode muito bem estar errado.

Pai da mentira é a alcunha do safado.

 

Poderia te fornecer uma lista

Onde constassem todas as pistas

Mas não seria muito recomendado

Até porque ele é mesmo um diabo

 

Algumas vezes ele disfarçado, 

Com voz de locutor ultrapassado

Diz por aí que ele é eu.

 

Não acredite nesse amaldiçoado,

Não passa de um pobre coitado

E ainda por cima ateu.

Publicado em: on Maio 29, 2008 at 3:50 pm Comentários (1)

Domingo

Domingo pela manhã.

Acordo de repente.

Nos olhos um fiapo de sono, os restos de um sonho que não se resolveu. Nos ouvidos barulhos matinais normais. Ao longe um rádio, uma música, uma motocicleta passando no rua e aqui perto o barulho da descarga, as imprecações de uma mãe e o choro de um bebê.

Não quero acordar.

Me remexo na cama. Ainda com o sonho na mente. Não quero que ele se vá. Não quero abrir os olhos, ainda não. O sonho é triste, DEIXA EU SOFRER UM POUCO MAIS?! A criança calou-se, por certo ganhou o que queria… A mãe amuada cedeu. Capitulou. Cedeu o seio pro menino mamar…

Me remexo na cama.

Uma cama estranha.

Uma cama que nem cama na verdade é.

O sonho que tenho me arrasta da realidade pra ele, e estou indo pra casa deitado aqui. De repente um cachorro late mais alto, alguém tosse por perto aqui nessa rua e eu abro os olhos no ápice do sonho, no pior do pesadelo, no auge da dor, no pico do desespero.

Acordo.

Abro os olhos.

Fico feliz por ainda estar aqui.

Fico peliz por acordar sozinho (ninguém vai precisar jogar água fria em mim)…

Domingo de manhã.

A cidade é diferente, mas não me é estranha. Toda cidade de humanos se parece nos primeiros minutos da manhã. O leiteiro passando, a padaria se abrindo, as vovós sorrindo e os maconheiros pra cama indo.

Domingo de manhã.

Estou no Paraíso; por certo encontrarão mais alguns corpos nessa manhã. Aqui é sempre assim… Cidade grande. Diferente. Normal. Os mesmos sons matinais. O mesmo barulho da escova de dentes, da água escorrendo na pia, do tic-tac do relógio na parede.

Tudo igual.

Até eu sou igual.

Mesmo eu já estou levantando, lavando o rosto…

Bosta!

Esqueci de trazer a escova de dentes…

Enfim. Domingo. Mais um.

Uma camioneta com o cano de descarga estourado passou. Deveriam proibir isso tão cedo…

Uma espinha amarela rídicula nasceu no meu pescoço. Deveriam proibir isso aos domingos…

Minha namorada acorda, no outro quarto. Devíamos dormir juntos, ao menos aos domingos…

Domingo. Mais um.

Manhã de sol. Mais uma.

Motocicleta. Descarga. Tosse.

Bêbados, padeiros e soldados.

Mais uns, mais outros.

O domingo invade as casas, acorda os últimos sabatistas e põe um fim provisório na amplitude dos sonhos, no frio e violência da noite e nesses meus rabiscos.

Publicado em: on Maio 12, 2008 at 12:22 pm Comentários (1)

DEMITIDO

Eu fui demitido nessa terça-feira.

Nessa terça-feira eu fui demitido.

Eu fui, nessa terça-feira demitido.

Demitido eu fui nessa terça-feira.

Nessa terça-feira, demitido eu fui.

Demitido nessa terça-feira eu fui.

A felicidade entope meus poros.

Eu já nem conseguia sorrir durante a semana.

Agora tudo vai mudar. Tudo vai melhorar.

Quem disse que desemprego é ruim???

Deixem eu curtir minha preguiça…

Preguiça

Publicado em: on Maio 8, 2008 at 5:07 pm Comentários (2)

Rafaela (O antes)

Canção que fiz pra minha namorada, o tempo em que ela ainda não me queria por perto. Não sei se houve tempo assim, acho que ela só queria se fazer de difícil… rsrs.

 

Publicado em: on Maio 6, 2008 at 8:01 pm Comentários (0)

PARA QUE SERVEM OS CUNHADOS?

Sábado de manhã. Frio, chuva provavelmente. E eu eufórico com um novo curso, uma espécie de laboratório de escrita. Um professor bacana, uma galera legal e um tema instigante. Nada poderia me deprimir, certo? Errado. Ledo engano. Redondamente enganado, etc. Existe a figura do cunhado. E eu fui agraciado com dois deles. Um é bacana, obrigado. O Outro, nem um pouco.

Fomos convidados para um casamento. Nem eu nem o cunhado pé-no-saco somos íntimos do noivo ou da noiva, mas nossas garotas são primas do dito cujo. Creio que a namorada do meu cunhado seja mais próxima ao sujeito já que foram convidados para serem padrinhos do casamento. Eu e minha amada éramos simples convidados.

Éramos. Sim. No passado. Fomos apenas convidados, m as agora já não o somos mais. Meu cunhado, esse ser mesquinho, de coração pequeno e alma negra, ele declinou o convite. Disse que estará fora da cidade á trabalho e que só chegará na madrugada de domingo (eu tenho certeza que é mentira! Ele nem gosta de trabalhar, ainda mais num sábado. Se bem que pra fugir de um martírio maior, o crápula seria bem capaz de ir mesmo trabalhar…). Foi isso que mudou nossa condição. De simples convivas passamos a padrinhos, assim, a Bangu. Terrível…

Podem dizer que tive opção de dizer não. Tinha todo o direito, ser convocado assim de uma hora pra outra me daria esse direito. Mas vocês sabem como são as mulheres. Como poderia negar à minha senhorita o “prazer” de pelo menos uma vez deixar as irmãzinhas para trás? Sim, porque agora isso acaba virando uma disputa familiar. São três moças na família. A mais velha já casada e com a vida resolvida; a do meio, eleita madrinha pelo noivo, e a mais nova, mais linda, mais tudo, mais minha. Poucas vezes ela teve oportunidade tão clara de ser melhor que as demais. Isso na visão dela. Eu não vejo no caso nada que justifique tal afirmação. Afinal, qual a honra em ser escolhido pra testemunhar um ato tão falido como o casamento? Hoje em dia com esses relacionamentos que não duram uma estação bem pode que estejamos no ano próximo sendo convidados para a festa do divórcio. O quê? Divórcios não se festejam? Ah, eu festejaria. Mais até que um casamento…

Bom, mas voltando, esta é minha situação. Sou obrigado a vestir um terninho horroroso que minha namorada comprou, e pior, tive de pagar por ele e ainda dizer que sim, que havia ficado muito bom. Mentira sim, mas se for pra manter a paz mundial lá em casa por que não? A hipocrisia é o combustível da paz.

Serei também obrigado a encurtar meu curso. Sim, pois ao invés de trazerem a festa até nós, somos nós que temos de ir a ela. E ela está longe, por Deus. Será que não havia igrejas disponíveis em nossa cidade? Precisavam ir tão longe? E num sábado ainda. Meu Deus. Voltar pra casa de madrugada, levantar domingo cedo com uma puta dor de cabeça e depois ainda ter de aturar um almoço na casa dos sogros e encarar o sorriso cínico do cunhado a interrogar: e aí como foi lá ontem? Ninguém merece…

Cunhados, cunhados. Ninguém merece. Será que um dia eu serei um também?

Publicado em: on Maio 2, 2008 at 12:40 pm Comentários (0)

Modern Times

Rochosas montanhas ao longe vejo.

Algum dia poderei chegar até elas?

Faz séculos caminhamos sem se mover.

A rotina monótona nos petrificou.

E agora tal qual o lendário Prometeu;

Logramos obter êxito na saciedade alheia.

Até quando meu Deus?! Até quando?!

Publicado em: on Maio 1, 2008 at 6:39 pm Comentários (1)

Cedo

E sempre que eu penso nela me dá uma saudade! Ela está aqui, mas não aqui de verdade.

Sempre viaja cedo e volta á tarde. Ás vezes não muito tarde, mas parte, invariavelmente cedo.

Quando liga eu me atrapalho, finjo que demoro, que não estou sentindo falta. Mas estou.

E ela sabe. Sempre soube. Saberá eternamente. Faz parte do seu show.

Ela reparte comigo as alegrias da vida, os afazeres de casa e um pedaço de biscoito.

Somos felizes, mas sei lá. Queria mais, felicidade hoje me parece tão pouco!

Suspiramos, contudo, um pelo outro.

Ansiamos por nossos reencontros.

Não sabemos se isso quer dizer amor, mas dizemos “eu te amo” sempre que podemos.

Quem dera ela não saísse assim tão cedo

Publicado em: on at 6:17 pm Comentários (0)

Olá mundo!

Já tive blog antes. Ainda os tenho por aí. Andam orfãos é bem verdade, mas por aí estão. Nunca consegui apagar um poema que tivesse feito, estranho seria conseguir excluir um blog criado. Portanto por aí estão alguns filhotes soltos na blogsfera…

Espero que esse não tenha o mesmo destino ingrato dos seus antecessores.

O tempo dirá…

 

Publicado em: on at 5:41 pm Comentários (0)