Obama + Promessas de campanha = Brasil

DonkeyHotey/CC

Amigo leitor você que acompanha com tanta atenção as notícias da política internacional me responda rapidamente por favor, quais eram as principais promessas da campanha de Obama em 2008?

Não lembrou? Eu lhe refresco à memória: Retirada das tropas do Iraque, Fechamento de Guantánamo, Reforma na saúde, Aumento de impostos, Redução da Emissão de carbono. Desse reles top 5 quantas foram executadas? Apenas duas. A retirada das tropas e a reforma da saúde. Guantánamo segue como símbolo tardio da famigerada política do big-stick (ou no mínimo “fascismo exterior”), assim como os níveis de emissão de carbono que apesar de uma leve redução em 2011 e 2012 ainda seguem nas alturas, literalmente falando. Quanto a promessa de não aumentar os impostos podemos considerá-la cumprida parcialmente, pois apenas o cigarro e clínicas de bronzeamento artificial tiveram aumento real no período (contudo a partir de 2014 será imposta uma multa aos americanos que deixarem de ter um plano de saúde. O que querendo ou não é um imposto camuflado).
Já deu para notar pelo nosso top 5 que Barack Obama se assemelha muito aos seus congeneres brasileiros ao olhos do “promessômetro”. E pra piorar o site americano politifact.com divulgou que o presidente Obama pronunciou mais de 500 promessas durante sua campanha em 2008 e até a presente data cumpriu apenas 36% delas.

E aí lhe pergunto:
– Como os americanos puderam se contentar com esse índice fraquíssimo de realizações e deram nova oportunidade ao “falador”?

Qualquer um pode elencar vários motivos que vão desde questões macro como a crise mundial até outras questões menores muito conhecidas em nossa realidade tupiniquim. Para efeito de ilustração vou citar dois desses motivos com jeitão verde-amarelo.

O primeiro foi a falta de opção. O candidato republicano, de certa forma, representa uma volta à política de “dominação mundial” perpetrada há muito tempo pelos americanos e que após o governo Bush parece ter sido “abandonada”. Então, – devem ter pensado- dos males o menor. Melhor o pacífico e tolerante havaiano do que o beligerante e radical texano. 
(Não me refiro aqui a falácia moderna de que os democratas são pacíficos e os republicanos são brigões, até porque se formos ver na história existem vários exemplos de democratas belicosos, sem pensar muito posso citar dois: Truman que autorizou as bombas atômicas sobre o Japão e Clinton que ordenou ataques noturnos a Bagdá para desviar o foco de seu escândalo sexual em 1998).

Problema muito parecido o eleitor brasileiro têm encontrado desde as primeiras décadas da nossa república. Citando a história política catarinense, como não lembrar da nossa trindade governativa dos primeiros anos de república Müller-Hercílio-Schmidt, que durante décadas se alternou no poder representando ora os Republicanos, ora os Federalistas, mas sempre com a mesma forma de governar. Sem falar nos vários anos onde houve chapa única… Portanto a falta de opções de qualidades notórias e antagonicamente diferentes é um mal que nos persegue há muito tempo e que em 2012 acometeu também as eleições americanas (e por favor não me digam que existe antagonismo sincero entre PT e PSDB. Como a série de artigos do Dr. Heitor de Paola os descreve, são um verdadeiro condomínio fascista!)

O segundo motivo, amplamente anunciado antes do pleito teria sido o voto dos indecisos (imigrantes latinos e negros, principalmente). A exemplo do que acontece no Brasil (sendo aqui muito pior devido ao voto obrigatório) os eleitores não analisam os projetos de governo sob a ótica do beneficio ao país, pois acabam se curvando a questões muito subjetivas como o carisma do candidato (populismo velado) e a identificação com alguma característica pessoal não relevante (credo, etnia, naturalidade, fama, etc.).
Ou o caro leitor não lembra dos recentes exemplos brasileiros Dilma e Haddad que notadamente foram eleitos com base no lulismo que muitos diziam estar morto?

Por tudo isso ao final do processo eleitoral americano podemos concluir que em matéria de política estamos num nível bastante parecido. A grande dúvida é saber se isso é bom ou ruim. Em outras palavras o que podemos esperar do futuro???

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Sobre Tiago Carpes do Nascimento

Brasileiro, casado, vinte e poucos anos, escritor por obrigação e prazer, professor, curioso, eclético em matéria de música, adora livros e filmes inteligentes (instigantes), cristão, conservador, gosta de política, já sonhou ser presidente do Brasil, presidiu comitê municipal de sigla política, mas a desilusão foi tanta que hoje se contenta apenas em contribuir para a melhoria da educação e para o crescimento vegetativo da população, tendo dado o seu contributo em duas ocasiões.
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