Relações de influência entre árabes e europeus ocidentais na baixa Idade Média (Artigo)

Um artigo semi-empírico

1 INTRODUÇÃO

Gostaria de destacar que nosso caderno de estudos, que será devidamente citado nas referências, foi a minha única fonte de pesquisa. Assim, toda vez que eu deixar de citar alguma fonte subentender-se-á que o estou citando de memória. Para quem achar isso pouco ortodoxo ou convencional lembro que quando Einstein publicou a sua teoria da relatividade restrita também não usou de citações (se bem que no caso dele era por ser uma ideia totalmente original…) E ainda só para constar, esse artigo está sendo totalmente digitado pela minha mão esquerda, visto que minha mão direita encontra-se fraturada. Fratura essa que também mexeu um pouquinho com o meu emocional, assim quero já deixar claro que esse não vai ser um trabalho muito convencional. Tente seguir um padrão ABNT quando seu pulso direito lateja sem cessar e para amenizar a dor você se entupa de comprimidos!

Europa. Um fim de tarde, 4 de setembro de 476 d.C. Também pode ter sido uma madrugada, lá vou eu saber ao certo… O que temos nessa data em especial? Temos o marco tradicional do início de uma nova era no velho continente.

– Protesto!

– Protesto aceito. Tens direito a dois minutos oh meu crítico conceitual.

– Eu só queria dizer que não concordo com essa história de fixar uma data para uma mudança de era. Afinal, apesar do que dizem levou anos para que o continente todo viesse a se unificar sobre o mesmo sistema. O que quer dizer que o que quer que tenha acontecido nesse dia não foi lá assim uma mudança tão radical como querem dar a entender.

– Defenderei minha tese dizendo que…

…realmente a queda do então imperador Rômulo Augústulo provocada pela invasão das tropas de Odoacro, que foi o que aconteceu nesse dia pode não ter sido exatamente de uma importância vital para a mudança. Contudo, ela trás inseridos em seu bojo, muitos acontecimentos que viriam a se tornar emblemáticos para os historiadores do futuro como agentes de transição. Quer dizer, a deposição do imperador marcou o fim de um período sim, foi de certa forma o catalisador da mudança, ou ainda a parte visível de uma mudança invisível. Contudo não é sobre esse fato isolado que quero falar. Antes sobre o períodoem si. Emais especificamente sobre a influência árabe nessa época.


2 A RELAÇÃO E A INFLUÊNCIA

Gostaria de usar a faceta religiosa para abordar esse tema, mas como fazer isso se a Religião predominante do mundo árabe foi na verdade influenciada pelo Judaísmo judeu e o Cristianismo europeu e não o contrário? Certamente inverteria o tema. Apesar de que teríamos alguns bons argumentos para usar, por exemplo, o caso da presença árabe na península ibérica. O Islã conseguiu em dado momento, provocar uma espécie de miscigenação com as outras duas religiões ou culturas e impôs muitos valores da sua sharia no cotidiano de cristãos e judeus. Mas para evitar novas intervenções dos meus críticos conceituais, proponho que encontremos essa influência em questões menos divinas e mais terra-a-terra.

– E a queda de Roma?

– Deixa isso pra lá. Já expliquei que o tema é outro…

– Certo, mas diz aí que facetas tu vais abordar então?

– Questões econômicas… Mais especificamente tentarei formar uma opinião pessoal e através dela ir mostrando as diferentes conquistas obtidas da relação de comércio entre essas duas culturas.

– Essa relação, esse contato foi de alguma importância para o ocidente? Mudou a forma dos europeus negociarem?

– Certamente. É proverbial a fama dos árabes como ótimos negociantes…

– É verdade. Está presente na cultura popular de todos os povos.

– Falando nisso, estou a fim de descobrir se essa faculdade é elitista ou não.

– Como assim?

– Você deve saber que a cultura popular se manifesta de diversas maneiras. Então eu vou contar aqui uma anedota, um estilo marcadamente popular da cultura, certo?

– Hum.

– Aí, dependendo da nota desse artigo a gente vai saber como anda esse conceito na visão dos indivíduos que organizam o gabarito dos nossos artigos. Percebe?

– Sei. Vamos lá então.

– Bem, o árabe pegou dinheiro emprestado do judeu… Acontece que o árabe se gabava de nunca ter pagado uma dívida sequer. Por outro lado o judeu nunca havia perdido nenhum centavo em transação alguma. Passa o tempo e o árabe enrolando e só se esquivando do judeu e este no encalço do árabe. Até que um dia eles se cruzaram no bar de um português e começaram uma discussão. O árabe encurralado não encontrou outra saída, pegou um revólver e encostando-o na própria cabeça disse: “Eu posso ir para o inferno, mas não pago essa dívida.” E puxou o gatilho, caindo morto no chão. O Judeu não quis deixar por menos, pegou o revólver do chão, encostou-o em sua própria cabeça e disse: “Eu vou receber esta dívida, nem que seja no inferno.” E puxou o gatilho, caindo morto no chão. O português, que observava tudo, pegou o revólver do chão, encostou-o em sua cabeça e disse: “Pois eu não perco esta briga por nada”.

– Terrível.

– O que?

– Tudo. A piada, você a contando. Sem falar que nem fecha com o assunto em pauta…

– Como não? O árabe serviu ali de influência para os outros dois personagens os levando a cometerem suicídio!

– Não adianta você foi infeliz na sua colocação. Além do que não tem como colocar nas referências visto que é de domínio público e não publicada…

– O que fiz está feito. E eu não vou apagar nada do que escrevi. O meu pulso está doendo e eu preciso terminar esse maldito artigo logo!

– Tudo bem, a nota é sua…

– Minha não! NOSSA!NOSSA! Minha e sua. Entendeu???

– Sim, mas não precisa apertar meu pescoço… Gasp… Cof, cof…

– Está certo, desculpe. Deixe-me continuar…

… De acordo com o caderno de estudos[1] existem dois períodos na vida comercial dos muçulmanos. O primeiro vai desde o fim, do século VIII até o início do século X, quando a partir dali se inicia a segunda fase que irá terminar no século XII quando então o Ocidente passará a exercer uma importante atividade mercantil.

Esse primeiro período é marcado pela influência e importância da cidade de Bagdá como um centro mundial do comércio. No caderno de estudos1 está escrito que para Bagdá convergia uma grande maioria dos itinerários mercantis do mundo na época. Isso porque Bagdá era ligada a China pela rota da seda, a Europa pelo mediterrâneo e a Índia e aos demais países do sudoeste asiático pelo golfo pérsico. Assim Bagdá era realmente uma espécie de centro do comércio mundial. Contudo essa situação não perdurou indefinidamente. A decadência desse período e a sua conseqüente queda tiveram início após o estabelecimento dos fatimidas em Cairo, Egito. Isso aconteceu exatamente, de acordo com minha fonte já anteriormente citada1, no século X. Foi a partir dali que os Fatimidas após se estabelecerem no Egito e passarem a dominar a Síria, passaram a fazer uma acirrada concorrência com os mercadores de Bagdá utilizando o mar vermelho como sua rota principal para o escoamento dos seus produtos. E durante muitos anos então Cairo foi o principal centro mercador do mundo. Contudo, de acordo com o livro no século XII, com o início das cruzadas o ocidente passou a ter certa relevância nas atividades comerciais do período. Contudo, durante muitos anos ainda esses centros coexistiram lado a lado. E é nesse ponto que vamos então nos deter no próximo parágrafo.

Quais foram as contribuições dos árabes á sociedade ocidental? Sabemos que são culturas distintas, cada uma com seus dogmas, seus valores e princípios. Mas ao entrarem em contato uma acabou recebendo influência da outra. Não podemos negar que muitas das palavras que nós hoje usamos são derivadas de vocábulos árabes. O livro[2] cita como exemplo as palavras açúcar, safra e cifra como exemplo. E é interessante notar, como os próprios autores do conteúdo mencionaram que a maioria das palavras esta relacionada á conceitos econômicos ou mercantis. Nisso já podemos ver então que a maior parte do que nos foi legada por eles, os árabes, diz respeito á atividade comercial. E aí me vem á mente novamente a cultura popular que faz dos turcos, dos sírios e de outras etnias arábicas, a imagem personificada de personagens avarentos, gananciosos em suma materialistas de mais. O que não deixa de ter certa historicidade.

E para encerrar gostaria de destacar que em minha opinião foram os árabes quem reinventaram o comércio no velho mundo. Esse foi o maior legado ao ocidente. Devemos todos lembrar que após a queda do império romano a economia européia passou a ser predominantemente baseada na subsistência. O comércio inexistiu por longos anos. Assim creio que foi exatamente esse contato com os árabes que possibilitou ao ocidente a redescoberta desse conceito já de muito adormecido e talvez até esquecido durante os anos iniciais da baixa idade média.

3 CONCLUSÃO

Vimos então, de forma desordenada e confusa um pouco daquilo que deveria ter sido o processo de influência que o oriente próximo infligiu ao ocidente. Concluo ainda enfatizando mais uma vez que nesse processo a influência se deu para ambos os lados. Não há uma verdadeira relação onde as partes permaneçam imunes a influências umas das outras e que apenas sejam influenciadoras. O oriente nos fez redescobrir o comércio, mas foi o ocidente que elevou as atividades mercantis ao ponto de séculos depois o capitalismo ter surgido e engolfado o planeta todo em seu viés.

– Não vai repetir sua condição?

– Não, está muito cansativo ficar escrevendo. Só vou colocar as referências e deu…

[1] SIEBERT; DAUWE; SAYÃO. 2007. Ad tempora.

[2] SIEBERT; DAUWE; SAYÃO. 2007. Loco citato. 

4 REFERÊNCIAS

1 SIEBERT, I.; DAUWE, F.; SAYÃO, T.J. Caderno de estudos: História medieval. Indaial: Ed. ASSELVI, 2007.

______
Artigo elaborado em 04/10/07
Anúncios

Sobre Tiago Carpes do Nascimento

Brasileiro, casado, vinte e poucos anos, escritor por obrigação e prazer, professor, curioso, eclético em matéria de música, adora livros e filmes inteligentes (instigantes), cristão, conservador, gosta de política, já sonhou ser presidente do Brasil, presidiu comitê municipal de sigla política, mas a desilusão foi tanta que hoje se contenta apenas em contribuir para a melhoria da educação e para o crescimento vegetativo da população, tendo dado o seu contributo em duas ocasiões.
Esse post foi publicado em ARTIGOS e marcado , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s