Cultura de massa II

Depois da decepção do sábado, alguns fatos dominicais:

1º Meio dia. Praça de alimentação do shopping. Música ao vivo rolando (um projeto do sesc de espalhar cultura pela cidade), de muito boa qualidade por sinal (Não é porque o Wickmann é meu brother, nada disso!). Na dose certa, na altura correta, eu curto em silêncio, a cabeça automaticamente balançando em aprovação. Mas eis que de repente, de uma mesa marginal uma senhora se levanta e brandindo punho em riste pede que cesse a música, abaixe o volume e o escambau. 

2º Noite. Teatro do SESC. Espetáculo “Agreste”, da companhia Razões Inversas, com Paulo Marcello e Joca Andreazza. Peça que em 2004 levou prêmio APCA de texto e espetáculo, bem como o Shell de melhor autor para Newton Moreno, deveria por certo lotar o teatro. Que nada… Teatro vazio. Menos de 20 pessoas assistiram a peça.


Um fato complementa o outro. Muitas vezes noto as pessoas reclamando que nossa região não recebe cultura de boa qualidade. Mas quando vêm é recebida assim?

Sobre música na praça de alimentação é compreensível que muitos lá vão para conversar, mas no caso a música não estava incomodando. Ora essa! Eu estava a dois metros do som e não estava com comichões ou coisa parecida… Me ressentiria muito mais se nada houvesse para preencher o vazio dos falatórios sem sentido daquela gente toda. Questão de gosto, mas em tudo: Os incomodados que se incomodem!

Sobre o teatro, após a peça os atores bateram um papo com a platéia. O Joca Andreazza desabafou que foi uma grande decepção apresentar uma peça tão prestigiada para um público tão pequeno. Uma senhora que lá estava tentou justificar a ausência de público ao feriado e a corrida às praias. Ameniza, mas não justifica de todo. Pois já outras peças montadas em outros finais de semana e outros dias da semana também tiveram um público infímo. Então é questão cultural mesmo. A Arte me parece coisa para poucos. Há um nicho que consome arte. E não é só Jaraguá do Sul. No Brasil todo vemos isso.

Ainda ontem durante a última palestra do Panorama Literário de Jaraguá, falavamos sobre isso. O escritor e jornalista carioca Marcelo Moutinho chegou a dizer que no Brasil quem lê literatura é exatamente aquele que a produz (escritores escrevendo para outros escritores). O leitor médio não lê literatura, mas sim o entretenimento de massa, que pra mim nunca será arte. No caso de ontem, se houvesse algum ator global na peça, o teatro lotaria…

Então concluo meu fim de semana num misto de tristeza e alegria. Alimentei-me, mas queria que os outros também curtissem isso…

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Sobre Tiago Carpes do Nascimento

Brasileiro, casado, vinte e poucos anos, escritor por obrigação e prazer, professor, curioso, eclético em matéria de música, adora livros e filmes inteligentes (instigantes), cristão, conservador, gosta de política, já sonhou ser presidente do Brasil, presidiu comitê municipal de sigla política, mas a desilusão foi tanta que hoje se contenta apenas em contribuir para a melhoria da educação e para o crescimento vegetativo da população, tendo dado o seu contributo em duas ocasiões.
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