Democratização de acesso ao Museu Emilio da Silva

Este espaço publica desabafo de uma fiel leitora. Confira:

 

beatriz sasse

 

Durante a semana dedico-me ao trabalho, aos filhos e ao estudo como muitos munícipes jaraguaenses. No último feriado – Finados – programei uma visita ao Museu Emílio Silva para apreciar a exposição “Cotidiano e Religiosidade no Tempo dos Faraós”. No sábado, 30 de outubro, cheguei ao Museu com meus filhos pela manhã e fiquei perplexa ao ler um aviso fixado na porta comunicando que não haveria expediente de 29 de outubro a 1º de novembro.

Meus filhos, 12 e 7 anos, ficaram indagando-me por que estava fechado se o panfleto anunciava que a exposição realizava-se no período de 22 de setembro a 1 de novembro de 2009. Não sabia como justificar. Fato é que o anúncio de divulgação que veiculava pela cidade pareceu-me enganoso e conduziu-me a uma situação de constrangimento.

Tenho licenciatura em História e, por hábito, sempre que visito uma cidade, gosto de apreciar seus museus que, para atender suas finalidades, estão abertos nos fins de semana e feriados.

Para compreender as principais finalidades de um Museu é importante lembrar que foi na França, com a influência dos enciclopedistas franceses e o aumento da democratização da sociedade provocado pela Revolução Francesa que surge o conceito de coleção como instituição pública, chamada “museu”. Assim o primeiro verdadeiro museu público só foi criado, pelo Governo Revolucionário (Robespierre), em 1793: o Musèe du Louvre, com coleções acessíveis a todos, gratuitamente, com finalidade recreativa e cultural. O público tinha acesso apenas nos fins de semana, ficando a semana reservada ao trabalho dos artistas que se dedicavam ao estudo das obras de grandes mestres, determinação que ficaria em vigor até 1855.

Atualmente, o Conselho Internacional de Museus (ICOM – International Council of Museums) reconhece como Museu “a instituição permanente, aberta ao público, sem fins lucrativos, a serviço da sociedade e de seu desenvolvimento, que adquire, conserva, pesquisa, expõe e divulga as evidências materiais e os bens representativos do homem e da natureza, com a finalidade de promover o conhecimento, a educação e o lazer.”

No Brasil há cerca de 2.106 instituições museológicas que apresentam uma grande diversidade: são museus de caráter nacional, regional e comunitário, público e particulares, históricos, artísticos, antropológicos e etnográficos, científicos e tecnológicos. O Departamento de Museus e Centros Culturais – IPHAN/MinC(*) define como uma das caraterísticas de um museu a democratização do acesso, uso e produção de bens culturais para a promoção da dignidade da pessoa humana.

Muitos museus tem como propósito abordar as obras de arte a partir dos pontos de vista histórico, estético e social, propiciar um processo de aprendizagem com a participação ativa do público, trabalhar em parceria com instituições escolares, oferecer ao público oficinas que dialoguem com as exposições do Museu, organizar palestras, simpósios e cursos e propiciar visitas guiadas (monitorias). Para isso, alguns museus, como o Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba, criaram departamentos que organizam equipes de monitores composta por universitários, estudantes dos cursos de Artes, Turismo, História e Designer que recebem treinamento prévio a cada nova exposição orientados pelos artistas e ou curadores. Esses monitores ficam responsáveis por transmitir aos visitantes informações sobre os artistas e as obras em exposição.

Diante de tantas informações sobre o que é, como funciona e quais as finalidades de um Museu (desde o século XVIII), fica evidente que é preciso que esta instituição esteja com suas portas abertas nos fins de semana e feriados, principalmente, quando divulgam isso em panfletos. Democratizar o acesso, propiciar conhecimento, educação e lazer, tudo isso perpassa pela necessidade de se repensar o horário, a data e a qualidade desse atendimento (criação de monitorias, por exemplo) no museu Emílio Silva, em Jaraguá do Sul.

 

Jaraguá do Sul, novembro de 2009.

Scheila Ribeiro

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Sobre Tiago Carpes do Nascimento

Brasileiro, casado, vinte e poucos anos, escritor por obrigação e prazer, professor, curioso, eclético em matéria de música, adora livros e filmes inteligentes (instigantes), cristão, conservador, gosta de política, já sonhou ser presidente do Brasil, presidiu comitê municipal de sigla política, mas a desilusão foi tanta que hoje se contenta apenas em contribuir para a melhoria da educação e para o crescimento vegetativo da população, tendo dado o seu contributo em duas ocasiões.
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