Política & Religião

Angeli

O que é Política?

Para a filósofa e pensadora alemã Hannah Arendt “O sentido da política é a liberdade“. Segundo ela, a idéia de política e de coisa pública surge pela primeira vez na polis grega considerada o berço da democracia. O conceito de política que conhecemos nasceu na cidade grega de Atenas e está intimamente ligado à idéia de liberdade que para o grego era a própria razão de viver.

Na atualidade muitos líderes religiosos tem verdadeira ojeriza a política e chegam a proibir que seus membros se envolvam nessas questões. Contudo a política faz parte do nosso dia-a-dia. Dizia Aristóteles, o sábio filósofo grego: “o homem é um animal político”. Os anos passaram, mas a frase ainda não perdeu sua veracidade. De fato somos naturalmente “políticos”.

Fazemos política quando exercemos nossos direitos. Quando cumprimos nossos deveres. Não falo apenas de votarmos nas eleições, falo de atuar na sociedade. Pra mim Política e Ética são palavras intrínsecamente ligadas. Fazemos polítca quando vivemos de maneira que não prejudicamos nosso próximo.

E é nesse ponto que a política e a religião se encontram.

A Bíblia Sagrada traz no capítulo 9 do livro de Juízes uma parábola proferida por Jotão, quando os cidadãos da sua terra o deixaram de lado preferindo escolher homens maus para exercerem o governo. Transcrevo-a na íntegra:

8 Foram uma vez as árvores a ungir para si um rei, e disseram à oliveira: Reina tu sobre nós.
9 Porém a oliveira lhes disse: Deixaria eu a minha gordura, que Deus e os homens em mim prezam, e iria pairar sobre as árvores?
10 Então disseram as árvores à figueira: Vem tu, e reina sobre nós.
11 Porém a figueira lhes disse: Deixaria eu a minha doçura, o meu bom fruto, e iria pairar sobre as árvores?
12 Então disseram as árvores à videira: Vem tu, e reina sobre nós.
13 Porém a videira lhes disse: Deixaria eu o meu mosto, que alegra a Deus e aos homens, e iria pairar sobre as árvores?
14 Então todas as árvores disseram ao espinheiro: Vem tu, e reina sobre nós.
15 E disse o espinheiro às árvores: Se, na verdade, me ungis por rei sobre vós, vinde, e confiai-vos debaixo da minha sombra; mas, se não, saia fogo do espinheiro que consuma os cedros do Líbano.

Essa parábola tem uma boa aplicação na atualidade sobre a questão da distinção entre política e religião. Se por um lado os “políticos profissionais” tem agido de má fé com a população, com o erário público e com seus congêneres devemos ter em mente que isso não é de fato POLÍTICA na verdadeira acepção da palavra. E isso não deve desistimular quem se interessa pela verdadeira política.

Se nós que somos as “árvores boas” não quisermos assumir o governo, as “árvores más” assumirão. Se nós estivermos mais preocupados com nossas próprias vidas do que com o bem comum, podemos estar certos de que algum espertinho vai se aproveitar da nossa falta de interesse e vai acabar controlando tudo, inclusive os nossos negócios. então de certa forma isso envolve cada um de nós. Todos pagamos impostos, todos temos direito de opinar para onde eles devem ir. Todos nós DEVEMOS exercer nossos direitos!

Para o triunfo do mal só é preciso que os bons homens não façam nada.

Edmund Burke

Quando João Calvino (1509-1564) aplicou em Genebra (Suíça) os princípios da “constituição de Deus”, a Bíblia, ele revolucionou de maneira extraordinária a vida daquela cidade. A reforma religiosa e político-social de Calvino é um marco da história que comprova, entre tantos outros exemplos semelhantes, que fé em Deus e administração pública é uma mistura que dá certo.

Assim levanto o estandarte do Partido Social Cristão que apregoa que o “cristianismo, mais do que uma religião é um estado de espírito que não segrega e não exclui, mas que aceita a todos, independentemente de credo, cor, raça, ideologia, sexo, condição social, política, econômica ou financeira; além de servir de base para que as pessoas tomem decisões de forma racional visando o bem comum e a justiça social.

PSC 20

PSC 20


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Sobre Tiago Carpes do Nascimento

Brasileiro, casado, vinte e poucos anos, escritor por obrigação e prazer, professor, curioso, eclético em matéria de música, adora livros e filmes inteligentes (instigantes), cristão, conservador, gosta de política, já sonhou ser presidente do Brasil, presidiu comitê municipal de sigla política, mas a desilusão foi tanta que hoje se contenta apenas em contribuir para a melhoria da educação e para o crescimento vegetativo da população, tendo dado o seu contributo em duas ocasiões.
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