TRABALHADORES: DUAS ÉPOCAS DISTINTAS

Trabalhadores


RESUMO: Esse artigo vai narrar situações do cotidiano de um hipotético trabalhador da época da Revolução Industrial, objetivando levar o leitor a traçar um comparativo com a situação da classe trabalhadora na atualidade e filosofar sua própria resposta à indagação: houve mudança?

Palavras chave: Trabalhador; Revolução Industrial; Atualidade.

1 INTRODUÇÃO

De acordo com Soltau (2009) após a Revolução Industrial “o trabalho que era executado pelo servo, passa a ser pensado como mão-de-obra assalariada”, em outras palavras estava criada a profissão “Trabalhador”. De lá pra cá muitas coisas mudaram, como era de se esperar. Muitos avanços na forma como os trabalhadores são tratados pela classe patronal e pelo sistema capitalista propriamente falando.

Para que venhamos a visualizar melhor, tecerei esse artigo como uma narrativa de um dia qualquer no cotidiano de um trabalhador do começo do século XVIII traçando comparativos com as situações da atualidade.

2 RELATO HIPOTÉTICO DO COTIDIANO DE UM TRABALHADOR DA ÉPOCA

Logo pela manhã Ele levanta. Antes de o dia clarear. Tem de estar na fábrica ás cinco da manhã, horário em que o diretor vai tocar o sinal para o início das atividades. Seria muito desaconselhável se atrasar. Há uma crise instaurada, pois sobra mão de obra e faltam postos de trabalho. Grande parte disso se deve ao fato de cada vez mais pessoas serem expulsas do campo devido à política de cercamento adotada pelo novo sistema que surgiu. Aliás, Ele é uma vítima desse sistema. Antes tinha a sua própria terrinha no campo, onde plantava nabo, aipim e cevada. Trocava o excedente com os vizinhos ou nas feiras que começavam a se tornar cada vez mais freqüentes. Já havia sido assim a gerações, mas ele sentia que algo estava mudando.

E como estava. Aquelas inocentes feiras, que pareciam trazer tantos benefícios no curto prazo, acabaram por se transformar em cidades. Os feirantes viraram burgueses, depois colonizadores do Novo Mundo e agora detinham os meios de produção. Não era de admirar que Ele trabalhasse na fábrica de um de seus antigos colegas feirantes. Mundo pequeno.

Sua função na fábrica é cortar pedaços de couro, que logo após irão ser transformados em sapatos. Ele ainda não sabe como isso é possível (e na verdade nunca vai saber), seu conhecimento do processo não vai além do estritamente necessário para desempenhar sua função.

Ele tem uma casinha que ganhou do patrão num dos subúrbios da cidade. Todos os seus colegas moram ali também. Recebem pouco, mal dá pra sustentar a numerosa prole. Mas o que se há de fazer? Saudades do campo, mas voltar como? O jeito é cuidar pra tudo não piorar. Ele sabe muito bem como isso é possível. Outro dia um primo seu foi condenado a morte por tomar parte num dos levantes do movimento dos Ludistas. Esses camaradas acham que a culpa de tudo está nas máquinas e por isso invadem as fábricas e quebram as máquinas. O governo tenta reprimir de todas as formas, já que a maior parte dessas fábricas pertence as famílias de integrantes do governo. Muitas pessoas são presas, mortas e feridas nos embates com a polícia. Fábricas são fechadas, funcionários demitidos, um inferno!

E ainda existem as greves. Imensas paralisações. Mas nada adianta. Os grevistas são demitidos e em seu lugar é escolhido um dos muitos desempregados que fervilham pelas ruas das cidades.

Revolução industrial? Avanço tecnológico? Isso era pra ser bom, mas Ele sabe muito bem que apenas alguns se beneficiam nesse processo. A grande parte da população apenas sofre… Oh destino cruel. Onde estão os ideais tão apregoados por aqueles malucos franceses de outrora? Cadê a liberdade? Se nem mesmo era possível escolher em que fábrica trabalhar. E o que dizer da igualdade numa sociedade onde tantos apenas sobrevivem e um punhado de “escolhidos”, como Calvino os descreve, vivem muito bem à custa do trabalho alheio? Sem falar que não existia fraternidade alguma entre as classes sociais. Boa parte disso devido ao ministro da igreja que tanto citava João Calvino (saudades do tempo em que o padre condenava o logro…).

Mas Ele vai sobrevivendo. Vê seus filhos crescendo. Sabe que terão o mesmo destino, mas talvez tenha de ser assim. Quem sabe não seria essa a vontade divina?

3 CONCLUSÃO

O nosso hipotético personagem aí de cima ficaria entusiasmado se vivesse um pouco mais para ter contato com as idéias de Marx. Sua sede de Liberdade, Igualdade & Fraternidade que se entrevê timidamente nessas linhas encontraria um eco perfeito na voz, ou nos escritos, de Marx e Engels, segundo Soltau (2009) para eles “as forças capazes de vencer e transformar o capitalismo estavam no próprio sistema. Cabia aos proletários transformar a sociedade buscando igualdade” Claro que seu entusiasmo não duraria tanto assim, mas pelo menos teria mais esperança no futuro.

Agora pensemos, será que mudou muito a nossa sociedade de lá para cá? Será que os anseios Dele não seriam os mesmos nossos? Será que a desigualdade social desapareceu? Será que hoje em dia vemos mais justiça social? Cabe a cada um de nós a analise fria dos fatos. Eu tenho a minha conclusão: mudaram os personagens, mudou-se o pano de fundo, mas as motivações, os sentimentos são os mesmos. Absolutamente!

4 REFERÊNCIAS

SOLTAU, André Marcos Vieira. Caderno de Estudos: História do pensamento político e econômico. Indaial: ASSELVI, 2009.

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Sobre Tiago Carpes do Nascimento

Brasileiro, casado, vinte e poucos anos, escritor por obrigação e prazer, professor, curioso, eclético em matéria de música, adora livros e filmes inteligentes (instigantes), cristão, conservador, gosta de política, já sonhou ser presidente do Brasil, presidiu comitê municipal de sigla política, mas a desilusão foi tanta que hoje se contenta apenas em contribuir para a melhoria da educação e para o crescimento vegetativo da população, tendo dado o seu contributo em duas ocasiões.
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8 respostas para TRABALHADORES: DUAS ÉPOCAS DISTINTAS

  1. ki bom ! eu num queria saber , só faser a bosta de um trabalho de filosofia , mas ki bom ! ‘-‘ seus bando de MACACO GESÉ

  2. Ana disse:

    Tamanha incoerência do rapaz acima. Muito bom seu texto.

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  6. Gostei do trabalho, ok?! ^^

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