Comentários Aleatórios 3 (Túnel do Tempo)

08/10/2007  (retirado do meu blog no GloboOnliners que será extinto nesse mês…)

Eu não posso citar fontes. Até se alguém puder me ajudar a confirmar a história… Só pra contextualizar, eu ouvi isso na faculdade numa aula do professor Francisco Sobral, ele é doutor em educação pela Unicamp e especializado em ensino interdisciplinar. O que ele nos contou foi o seguinte:

Em 2002 uma importante funcionária do banco mundial se demitiu e desde então vem participando de grupos de estudo e protesto anti-capitalismo. A informação que ela divulga é a seguinte: Em 2002 estimava-se que com 60 trilhões de dólares era possível comprar toda a cultura da humanidade. Isto é todos os bens produzidos até então. Da mais ínfima agulha até o mais moderno satélite lançado no planeta. 60 trilhões de dólares. E segundo ela, havia em 2002 cerca de 90 trilhões de dólares parados nos bancos, nos fundos de investimento, etc. Dinheiro parado, que não estava gerando emprego, nem produzindo bens. Dinheiro especulativo, digamos assim.

Agora vamos pensar um pouco. Se com 60 tri se compra tudo, temos cerca de 30 trilhões de dólares sem poder aquisitivo. Dinheiro que não pode comprar mais nada. Afinal não se pode comprar o que não existe… E paralelo a isso vemos a desigualdade aumentar.

Ouvi certa vez Fidel Castro dizer que o dinheiro gasto para se produzir um único submarino nuclear norte-americano seria capaz de erradicar o analfabetismo em toda a América Latina. Nota: Os Eua tem 60 desses submarinos…
O Produto Mundial Bruto (PMB), que é total das riquezas produzidas anualmente no mundo ultrapassa os US$ 30 trilhões, mas o número de pessoas que vivem abaixo da linha de miséria absoluta passa de um bilhão de pessoas. Nunca se produziu tantos alimentos e nunca houve tantos famintos em todos os continentes, sobretudo na África, América Latina e Sul da Ásia. E o que nós vamos fazer?
Marx dizia que “As relações de produção é que determinam as relações sociais”. Não sei se está na moda citar Marx hoje em dia, mas o cito assim mesmo. E como interpreto o velhinho? Da seguinte maneira. Temos na empresa três níveis distintos: o chão de fábrica, as áreas de apoio (Laboratórios, vendas, Assistência técnica, supervisão, etc.) e a direção. E vemos na sociedade a mesma estrutura organizacional: O povão, a classe média e a elite.
E a distância entre essas classes é enorme. Só em novela o mocinho pobre casa com a filha do patrão. Não há mobilidade social. Isso me lembra o sistema das castas indianas. Se você nasceu em determinada classe é ali que você morrerá.
É claro que o sistema às vezes cria heróis. É o caso daqueles jogadores de futebol que saem da favela e vão pra Europa, dos empregados que acabam abrindo seu próprio negócio e prosperam etc. Mas, eles representam uma parcela muito pequena, a maior parte das pessoas nunca vai sair de onde está. O sistema com esses exemplos quer incutir nas pessoas a consciência de que se trabalhar direito um dia vai sair da M… Mentira…
E a classe média como fica nisso tudo? Queremos parecer com a elite. Estamos mais para o povo, mas queremos ser elite! E a elite claro não quer nada com a gente. Eles têm os seus clubes, jogam golfe, tênis e praticam equitação. Comem em restaurantes finos e se hospedam em hotéis 7 estrelas (Como um que eu “vi” em Dubai…).
Vocês notaram que há diferença até na programação que é voltada à elite? No Globo News, canal de TV paga, a cada hora entra um noticiário que fica vinte minutos mostrando a cotação das bolsas. Isso é a notícia da elite. No recém inaugurado Record News, canal de TV aberta, o que se vê? Informações sobre o trânsito na cidade, crimes praticados, acidentes nas estradas… Sim. Isso é que é notícia para o povo, isso é o que interessa. E agora me digam: o que interessa à classe média? Somos muito mais povo que elite…
Agora o que podemos fazer? Não dá pra gente esperar pelo governo. O governo é dominado pela elite, que não está nem aí com a sociedade. Vamos nos organizar. Lutar pelos nossos direitos, pela nossa dignidade humana.
Ainda não tenho um plano definido, mas não quero mais estar parado. Chega de ficar esperando a Revista Veja me dizer o que devo pensar, chega de ficar esperando a política me ludibriar, ou de ficar esperando a igreja dizer que essa é a vontade de Deus.

Eu não boto fé nenhuma em nada mais!

Não boto fé na mídia, na igreja, na política, no tal desenvolvimento sustentável apregoado pelo governo. Aliás, só pra citar o Che que anda um tanto desprestigiado e difamado: “Adonde hay pueblo hay gobierno y adonde hay gobierno soy contra”.

Anúncios

Sobre Tiago Carpes do Nascimento

Brasileiro, casado, vinte e poucos anos, escritor por obrigação e prazer, professor, curioso, eclético em matéria de música, adora livros e filmes inteligentes (instigantes), cristão, conservador, gosta de política, já sonhou ser presidente do Brasil, presidiu comitê municipal de sigla política, mas a desilusão foi tanta que hoje se contenta apenas em contribuir para a melhoria da educação e para o crescimento vegetativo da população, tendo dado o seu contributo em duas ocasiões.
Esse post foi publicado em ARTIGOS e marcado , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s