Sobre Telecinese

Nos últimos anos temos visto aumentar a discussão sobre eventos paranormais dentre eles a telecinese. Atendendo ao pedido de um amigo, eu efetuei algumas pesquisas, li alguns livros e agora vou então dar a minha opinião sobre o assunto.

Gostaria primeiro de me contextualizar. Sou um cético. O que vem a ser isso? Ser cético é “ver para crer” continuando assim a pôr em prática a antiga sabedoria de São Tomé. É não aceitar alegações extraordinárias sem provas ou evidências concretas. É trocar a fé pela ciência, esta última muito mais útil, produtiva e confiável.
Falo aqui do chamado “ceticismo científico” (diferente do ceticismo filosófico e epistemológico), uma ferramenta muito útil que me permitiu então uma análise crítica e moderna do assunto e de todos aqueles fenômenos ditos “fronteiriços”, que ocorrem em áreas à margem da ciência.

A telecinese está inserida num contexto das chamadas paranormalidade e pseudociências. Mas o que vem exatamente a ser essa tal paranormalidade? É toda a experiência que parece transcender as leis naturais e estar fora dos limites da experiência normal ou dos fenômenos explicáveis pelos conhecimentos científicos existentes. O que define a paranormalidade de certos fenômenos é que os cientistas não podem referendar sua existência ou ocorrência com uma explicação ou teoria considerada plausível. Por exemplo, os fenômenos parapsicológicos tais como a telepatia, a telecinese, a clarividência e a precognição são exemplos típicos do paranormal, pois não podem ser aprovados e explicados pela ciência atual.

Pseudociência e paranormalidade não são a mesma coisa. Muitas crenças não são científicas porque violam as regras de evidência e os métodos de pesquisa científica, porém não são paranormais no sentido de invocar um poder ou mecanismo causal que contraria as leis da natureza.

Crenças em fenômenos exóticos, tais como, o Mapinguari, Nessie, Yeti e Big Foot representam exemplos típicos de pseudociência. Teoricamente, dentro dos parâmetros atuais da ciência, tais criaturas poderiam existir sem violar nenhuma lei natural, porém a maioria dos cientistas considera que as evidências que poderiam apoiar sua existência são fracas, inconclusas, contraditórias ou não-confirmatórias.

Os fenômenos do paranormal e pseudociência também têm sido referidos por alguns como “fenômenos fronteiriços” (fringe phenomena, em inglês), na medida em que seu equacionamento e tratamento os situam às margens da ciência atual.

Terence Hines advoga um ponto de vista interessante ao considerar a paranormalidade como um subconjunto da pseudociência. Ele argumenta que todas as crenças paranormais são pseudocientíficas, porém nem toda a pseudociência tem natureza paranormal.

A pseudociência atrai e fascina as pessoas na medida em que apregoa a obtenção de grandes resultados com aplicação de um esforço mínimo. Luis Alfonso Gámez, no livro “Skeptical Odysseys”, com muita propriedade assim descreve o charme e sedução bem como os malefícios causados pela pseudociência:


“… esta é a imagem oferecida pela pseudociência: o acesso a conhecimento mágico, fama e dinheiro fácil sem precisar de estudo ou perseverança, está ao alcance de qualquer um capaz de ler um par de livros. Para esses, o estudo do paranormal vale mais que o esforço gasto em estudos tradicionais, tais como cursar uma faculdade ou lutar por um título de pós-graduação. Não é preciso nada para virar um especialista do paranormal. É por isso que há muitos deles por aí. Contudo, é preciso um tipo especial de caráter.”

“A pseudociência mata, pura e simplesmente. Deve-se à pseudociência, por exemplo, as mortes prematuras de pessoas que caíram nas mãos de curandeiros e recusaram terapias da medicina convencional tais como cirurgias cardíacas ou tratamentos contra o câncer que poderiam ter salvo suas vidas. Graças aos que administram a “cura pela fé”, muitas centenas de diabéticos são hospitalizados em estado de coma após interrupção do seu tratamento insulínico seguindo as recomendações desses ‘terapeutas’. Muitos doentes de câncer abandonam a medicina científica e passam a tomar poções homeopáticas, extratos de ervas, cartilagem de tubarão ou submetem-se a cirurgias mediúnicas. Muitas famílias (nos EUA) foram destruídas quando um de seus membros denunciou abuso sexual infantil com base em memórias reprimidas relatadas em sessões de hipnose, e admitidas nos tribunais como prova única.”

“Devemos tudo isso, e muito mais, à pseudociência: pessoas inocentes são burladas em bilhões de reais por falsos profetas e com total impunidade; muitas empresas selecionam seu pessoal com base em análise de caligrafia orientada por consultores em grafologia ou em horóscopos de astrólogos em vez de dar atenção às capacidades genuínas dos candidatos a um posto de trabalho; o desperdício da curiosidade de milhares de jovens que caem nas mãos de místicos que oferecem explicações simplistas da realidade; enormes somas de dinheiro que alguns governos desperdiçaram em projetos de pesquisa mal concebidos, dinheiro esse que poderia ter sido usado para melhores finalidades.”

“A maioria das pessoas, em toda a parte, adotam alguma forma de crença esotérica. Os levantamentos estatísticos indicam que, pelo menos entre o grande público, a pseudociência está avançando a passo firme. Algumas pessoas não se importam, mas eu afirmo que a pseudociência é perigosa não só para os seus discípulos, mas também para a sociedade inteira.”

Na era moderna um dos maiores expoentes da telecinese é o controverso Uri Geller. Uri Geller é um austro-húngaro nascido em Israel e que vive na Inglaterra. Tornou-se famoso ao pretender dobrar colheres e chaves com a força da sua mente. Muitos mágicos fazem o que Geller faz, mas intitulam-se mágicos. Bons ilusionistas enganam o mais esperto dos homens. Podem suspender objetos no ar, ler a sua mente, descrever desenhos escondidos, etc. Mas não nos espantam acertando na loteria ou curando o cancro. Porque é que usam aviões e não se tele transportam? Porque é que levam o carro ao mecânico quando ele se avaria? Porque é que movem um fio dentro de uma garrafa em vez de deslocar água para um incêndio numa floresta? Porque aí seria necessário mais que um truque de ilusionismo. Porque é que as pessoas mais inteligentes se convencem que testemunham atos paranormais? Porque não são suficientemente inteligentes para reconhecer que podem facilmente ser enganadas. Richard Feynman, que se encontrou com Uri Geller disse “Sou esperto suficiente para saber que sou burro,” significando que percebia que um bom ilusionista conseguia parecer violar as leis da física de modo que nem um grande físico conseguia perceber o truque.

Do outro lado temos James Randi, fundador da James Randi Educational Foundation, que desde de 1996 oferece um prêmio de um milhão de doláres para quem conseguir realizar algum evento paranormal em um ambiente controlado. Desnecessário dizer que até hoje ninguém faturou o prêmio.

Mas e então qual é a minha conclusão? Eu não creio que seja possível movermos objetos usando o poder da mente, o nosso Shakra ou o que quer que seja. Isto é uma regra, admito exceções. Contudo acho que tudo tem uma explicação lógica e racional. Se ainda não conseguimos explicar muitas coisas é porque ainda não temos o grau necessário de conhecimento ou tecnologia necessário para que assim seja.

É certo que existem fenômenos inexplicáveis, milagres ou o que seja. Contudo se eu tivesse de optar então por acreditar neles mediante a fé, estaria mais propenso a usar os dogmas cristãos de existência de forças sobrenaturais maléficas e benéficas. Ou seja, no bem e mal absolutos e a sua constante evolução sobre os céus do universo invisível. Contraponho-me assim à todas essas filosofias pós-modernas, como a Wicca; que pregam inexistência de um e de outro e que buscam a harmonia e o equilíbrio. Contudo antes de abandonar-me à fé, espero sempre esgotar os estoques da ciência verdadeira.

Para encerrar separei algumas frases sobre o assunto, de diversas personalidades, estudiosos do assunto ou não:

Na verdade, não existe o paranormal ou sobrenatural; há somente o normal e o natural – e mistérios a serem ainda explicados. É tarefa da ciência, não da pseudociência, solucionar esses enigmas com explicações naturais em vez de sobrenaturais.”
Michael Shermer

“É importante perceber que, em cem anos de pesquisas parapsicológicas, nunca houve uma única demonstração adequada da realidade de qualquer fenômeno paranormal (psi).”
Terence Hines

“As guerras religiosas e a caça às bruxas teriam sido bem menos numerosas ao longo da história houvessem as alucinações sido conhecidas como fenômenos naturais e houvessem os ‘possuídos pelo diabo’ sido considerados doentes.”
Robert L. Thorndike

“O que se quer não é a vontade de acreditar mas o desejo de descobrir, que é exatamente o oposto.”
Bertrand Russell

“As ilusões de uma pessoa é insanidade, ilusões de uns poucos uma seita, e de muitos uma religião.”
Autor desconhecido

A mais comum de todas as loucuras é acreditar apaixonadamente no que é evidente não ser verdadeiro. É a principal ocupação da humanidade.”
H. L. Mencken

“Liberdade para investigar espíritos, mas não ‘espíritos santos’, não é liberdade coisa nenhuma.
Bruce L. Flamm e Janice R. Goings

“O maior inimigo da verdade é freqüentemente não a mentira – deliberada, planejada, desonesta – mas sim o mito – persistente, entranhado e irreal.”
John F. Kennedy

“Eu fiz um esforço incessante para não ridicularizar, não menosprezar, não escarnecer as ações humanas, mas sim para compreendê-las.”
Baruch Spinoza

“Então, quando estiver diante da pseudociência, mantenha a navalha de Ockham ao seu lado e entoe o mantra ‘Hipótese, Experimento, Análise’ para manter o tridente da Idiotice longe das suas partes carnudas.”
Steve Cook

Fico feliz por poder cumprir minha promessa, ainda que de forma atrasada e não de todo satisfatória. Mas se algum político resolver seguir meu exemplo talvez o próximo ano não seja tão ridículo…                                                                         

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24/08/2007  (retirado do meu blog no GloboOnliners que será extinto nesse mês…)

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Sobre Tiago Carpes do Nascimento

Brasileiro, casado, vinte e poucos anos, escritor por obrigação e prazer, professor, curioso, eclético em matéria de música, adora livros e filmes inteligentes (instigantes), cristão, conservador, gosta de política, já sonhou ser presidente do Brasil, presidiu comitê municipal de sigla política, mas a desilusão foi tanta que hoje se contenta apenas em contribuir para a melhoria da educação e para o crescimento vegetativo da população, tendo dado o seu contributo em duas ocasiões.
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2 respostas para Sobre Telecinese

  1. Ruan disse:

    eu discordo! sobre alguem a cima que disse que nao ha nada afirmado sobre a psi…
    sim jah foi! uma mulher a um tempo atras dominava poderes espantosos, ela alem de videnciar, liberar calor pelas mãos, ela tinha muito dominio da tk (telecinese), e dizem que ela morreu por esforços do cerebro, a ultima gravaçao de suas habilidades ela nao consegue usar seus poderes. (tristezaaa demais foi ver isso!!! 8( , ha tb uma mulher na russia que diz ter poderes, mais se ela tem msm poderes … pq ela so move as coisa em cima de sua mesinha de vidro??? eu vi na net que eh possivel usar estatica pra mover o tubo de plastico ou sei lah oq, que ela movia!, mais a outra mulher eu ponho minhas mãos no fogo, aquilo e total verdade.

    **”” acreditar no alem é necessario para podermos viver nele””**

  2. Paulo V² disse:

    Ele está falando da Nina Kulagina….
    Dúvidas??
    Existe um documentário feito pelo Discovery Channel com o nome de “Parapsicologos Russos”; nele a Nina Kulagina e outros “TKS” são mostrados.

    Para mais informações:

    Procurem as comunidades de telecinese no orkut.
    Procurar sobre Nina Kulagina
    Procurar sobre o documentário “Parapsicologos Russos”

    No youtube existem alguns vídeos feitos pelos integrantes das comunidades de telecinese.

    E existem muitas maneiras de aprender a fazer telecinese; procurem no orkut a comunidade de maior número de pessoas.

    “Uma coisa é ver, outra coisa é provar pra sí próprio”

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