Sobre as eleições (política)

Ainda no clima das eleições, já que tem algumas cidades em que o segundo turno ainda virá, acho interessante postar aqui algo sobre POLÍTICA.

Pra quem não sabe o que eu faço (além de ficar navegando na rede), eu sou professor, leciono Sociologia na rede pública estadual de Santa Catarina. Na noite de ontem ao iniciar o assunto “Origem da Política” numa turma do segundo ano do ensino médio, fui interpelado por um aluno que disse que tinha verdadeiro asco da política. Isso me fez refletir que esse é o pensamento dominante na nossa população, a maioria das pessoas ainda vota porque a nossa democracia assim exige.  O que convenhamos, é um absurdo! Contudo a pergunta que vem é o que fazer pra mudar esse conceito? Sabemos que a maior parte da população tem razão em detestar os políticos, já que a grande maioria está lá apenas fazendo politicagem e não política de verdade.

Segundo o dicionário online PRIBERAM:

do Gr. politiké
s. f.,

ciência do governo das nações;
arte de dirigir as relações entre os Estados;
princípios que orientam a atitude administrativa de um governo;
conjunto de objectivos que servem de base à planificação de uma ou mais actividades;

fig.,

astúcia;
maneira hábil de agir;
civilidade.

Marilena Chaui em seu livro Filosofia: Novo Ensino Médio aponta que a política se originou na Grécia Antiga, e surgiu da necessidade de se criar medidas para impedir que o poder ficasse nas mãos de um único soberano. Sendo assim a política teria de ser a alternativa para que as leis fossem sempre o reflexo da vontade da maioria. Quer dizer, a política seria a causa propiciadora da democracia.

Infelizmente nos nossos dias vemos políticos que se esquecem que a política deve visar o bem comum e se entregam a campanhas épicas visando seu sucesso socio-econômico. Objetivo mesquinho. Mesquinho e egoísta.

Mas é claro que não se pode pôr no mesmo balaio todos os representantes da classe. Ainda há políticos sérios que se preocupam com a evolução da sociedade. Contudo a imagem que fica quase sempre é a de que um político é sempre um mau caráter. Acho que o caminho pra sairmos desse impasse é a informação. e a politização universal. Se o voto é amplo, geral e universal, a politização da população também deveria ser.  Do contrário serão sempre os mesmos candidatos, as mesmas famílias. É preciso conscientizar a população toda e principalmente os jovens de que “fazer política” é uma coisa séria!

Pra finalizar deixo aqui uma canção da banda paulistana Ira! que satiriza o lado negro dos nossos representantes. Ouça no link abaixo:

O candidato, Ira!

Você votou em mim
Eu te decepcionei
Você vai acreditar se eu te disser que mudei?
Você vai acreditar se eu te disser que mudei?

Será que um dia você vai lembrar que votou em mim?
Eu era tão sincero uma pessoa ímpar
Você votou em mim

Eu botei a prosódia logo após falar
É que eu quero frisar

Você votou em mim
Eu te decepcionei
Você vai acreditar se eu te disser que mudei?
Você vai acreditar se eu te disser que mudei?

Palavras são palavras etc e tal
Ma se votar em mim eu posso te dizer
Que eu não vou roubar
Que eu não vou matar
Só quero aeroporto com o nome do meu pai
E avenida principal com o nome da minha mãe

Não há ninguém no Brasil mais honesto que eu
E se eu me contradisser em tudo que preguei
Esqueçam o que eu escrevi

Você votou em mim
Eu te decepcionei
Você vai acreditar se eu te disser que mudei?
Você votou em mim
Eu te decepcionei
Você vai acreditar se eu te disser que mudei?

Será que um dia você vai lembrar que votou em mim?
Será que um dia você vai lembrar que votou em mim?

Não há ninguém no Brasil mais honesto que eu
E se eu me contradisser em tudo que preguei
Esqueçam o que eu escrevi
Esqueçam o que eu escrevi
Esqueçam o que eu escrevi

E tudo o que eu falei
Tudo o que eu preguei
Esqueçam o que eu escrevi
Esqueçam o que eu escrevi


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Sobre Tiago Carpes do Nascimento

Brasileiro, casado, vinte e poucos anos, escritor por obrigação e prazer, professor, curioso, eclético em matéria de música, adora livros e filmes inteligentes (instigantes), cristão, conservador, gosta de política, já sonhou ser presidente do Brasil, presidiu comitê municipal de sigla política, mas a desilusão foi tanta que hoje se contenta apenas em contribuir para a melhoria da educação e para o crescimento vegetativo da população, tendo dado o seu contributo em duas ocasiões. Belíssimas ocasiões, diga-se de passagem!
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Uma resposta para Sobre as eleições (política)

  1. Adri.n disse:

    O Analfabeto Político
    Bertolt Brecht
    O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.

    O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

    Este parece não ser um problema nacional, infelizmente. Os EUA (onde o voto não é obrigatório) as campanhas de estímulo a voto também tem sido muito forte, repetindo as palavras do mestre de uma forma mais popular:

    Mas até onde estas campanhas podem ajudar?!

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