Política & Religião 23 09, 2009
Posted by Tiago in VARIEDADES.Tags: A verdadeira política, Aristóteles, Bíblia, cristianismo, justiça, o que é política, parábola de Jotão, política, PSC, Religião, sociedade
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O que é Política?
Para a filósofa e pensadora alemã Hannah Arendt “O sentido da política é a liberdade“. Segundo ela, a idéia de política e de coisa pública surge pela primeira vez na polis grega considerada o berço da democracia. O conceito de política que conhecemos nasceu na cidade grega de Atenas e está intimamente ligado à idéia de liberdade que para o grego era a própria razão de viver.
Na atualidade muitos líderes religiosos tem verdadeira ojeriza a política e chegam a proibir que seus membros se envolvam nessas questões. Contudo a política faz parte do nosso dia-a-dia. Dizia Aristóteles, o sábio filósofo grego: “o homem é um animal político”. Os anos passaram, mas a frase ainda não perdeu sua veracidade. De fato somos naturalmente “políticos”.
Fazemos política quando exercemos nossos direitos. Quando cumprimos nossos deveres. Não falo apenas de votarmos nas eleições, falo de atuar na sociedade. Pra mim Política e Ética são palavras intrínsecamente ligadas. Fazemos polítca quando vivemos de maneira que não prejudicamos nosso próximo.
E é nesse ponto que a política e a religião se encontram.
A Bíblia Sagrada traz no capítulo 9 do livro de Juízes uma parábola proferida por Jotão, quando os cidadãos da sua terra o deixaram de lado preferindo escolher homens maus para exercerem o governo. Transcrevo-a na íntegra:
| 8 | Foram uma vez as árvores a ungir para si um rei, e disseram à oliveira: Reina tu sobre nós. | |
| 9 | Porém a oliveira lhes disse: Deixaria eu a minha gordura, que Deus e os homens em mim prezam, e iria pairar sobre as árvores? | |
| 10 | Então disseram as árvores à figueira: Vem tu, e reina sobre nós. | |
| 11 | Porém a figueira lhes disse: Deixaria eu a minha doçura, o meu bom fruto, e iria pairar sobre as árvores? | |
| 12 | Então disseram as árvores à videira: Vem tu, e reina sobre nós. | |
| 13 | Porém a videira lhes disse: Deixaria eu o meu mosto, que alegra a Deus e aos homens, e iria pairar sobre as árvores? | |
| 14 | Então todas as árvores disseram ao espinheiro: Vem tu, e reina sobre nós. | |
| 15 | E disse o espinheiro às árvores: Se, na verdade, me ungis por rei sobre vós, vinde, e confiai-vos debaixo da minha sombra; mas, se não, saia fogo do espinheiro que consuma os cedros do Líbano. | |
Essa parábola tem uma boa aplicação na atualidade sobre a questão da distinção entre política e religião. Se por um lado os “políticos profissionais” tem agido de má fé com a população, com o erário público e com seus congêneres devemos ter em mente que isso não é de fato POLÍTICA na verdadeira acepção da palavra. E isso não deve desistimular quem se interessa pela verdadeira política.
Se nós que somos as “árvores boas” não quisermos assumir o governo, as “árvores más” assumirão. Se nós estivermos mais preocupados com nossas próprias vidas do que com o bem comum, podemos estar certos de que algum espertinho vai se aproveitar da nossa falta de interesse e vai acabar controlando tudo, inclusive os nossos negócios. então de certa forma isso envolve cada um de nós. Todos pagamos impostos, todos temos direito de opinar para onde eles devem ir. Todos nós DEVEMOS exercer nossos direitos!
Para o triunfo do mal só é preciso que os bons homens não façam nada.
Edmund Burke
Quando João Calvino (1509-1564) aplicou em Genebra (Suíça) os princípios da “constituição de Deus”, a Bíblia, ele revolucionou de maneira extraordinária a vida daquela cidade. A reforma religiosa e político-social de Calvino é um marco da história que comprova, entre tantos outros exemplos semelhantes, que fé em Deus e administração pública é uma mistura que dá certo.
Assim levanto o estandarte do Partido Social Cristão que apregoa que o “cristianismo, mais do que uma religião é um estado de espírito que não segrega e não exclui, mas que aceita a todos, independentemente de credo, cor, raça, ideologia, sexo, condição social, política, econômica ou financeira; além de servir de base para que as pessoas tomem decisões de forma racional visando o bem comum e a justiça social.
Quem é Deus? 08 08, 2009
Posted by Tiago in ARTIGOS.Tags: Índios, Cantores, Clubes de Futebol, Deus, Pesquisa, Quem é Deus?, Religião
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Estou usando parte do meu tempo livre para refletir acerca da pergunta título dessa postagem.
Pretendo em breve iniciar um projeto de pesquisa nesses termos: Quem de fato é Deus?
Cada civilização tinha a sua forma própria de representar as suas divindades. Acredito que se colocar lado a lado essas diferentes representações devo chegar a um denominador comum. A esse denominador poderei então dar o nome de DEUS.
Parto da hipótese de que os diferentes deuses existentes (Rá, Brahma, Allah, Jeová, Zeus…) são apenas aspectos diferentes (ou nem tanto) de uma mesma divindade. Assim seria como um quebra cabeças que ao ser completo vai nos dar a resposta final.
Utópico? Talvez, mas gosto de grandes desafios.
Na adolescência fiz muitas pesquisas. Eu já pesquisei, por exemplo, sobre as tribos nativas americanas. E isso numa época sem internet… Usava como fontes livros de faroeste, livros sérios, revistas, etc. Cheguei perto de duas centenas de nomes de tribos ou clãs. A pesquisa perdeu a graça quando encontrei um livro de Rondon sobre os índios brasileiros onde trazia a maioria das tribos nacionais. Isso me desistimulou, afinal minha pesquisa não era mais inédita…
Depois veio a fase futebol. Garimpava os noticiários esportivos e as seções de esporte dos jornais a procura de clubes desconhecidos. Essa fase também teve um fim trágico: comprei uma revista Placar onde num encarte vinha um ranking de clubes. Nesse ranking tinha uma boa parte dos clubes que eu arduamente juntara. Muita facilidade, que decepção.
Tive também por essa época outro projeto que não vingou: nome de cantores/ bandas. Também utilizava os jornais e os programas de rádio. Vivia com um bloquinho de anotações no bolso, atento a algum nome novo… Semana passada ainda encontrei uma folha com parte do meu catalogo… Bons tempos.
Assim, justifica-se minha vontade de realizar essa pesquisa. É claro que agora não vai ser apenas um processo de catalogar nomes, mas sim uma análise das características dessas diferentes divindades.
Só espero que não surja antes um livro com a mesma temática…
TRABALHO DE GRADUAÇÃO 27 06, 2009
Posted by Tiago in ARTIGOS.Tags: Assembléia de Deus, GUARAMIRIM, História, História da Assembléia de Deus, História da Religião, História de Guaramirim, Movimento Pentecostal, Religião, trabalho de graduação
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Enfim consegui terminar meu trabalho de graduação do meu curso Licenciatura em História, entregá-lo e me livrar de um pouco de stress.
Aqui está o resultado.
Espero que ele passe pelo crivo da orientadora pra mim poder respirar ainda mais aliviado.
RESUMO: O relato do surgimento da Igreja Evangélica Assembléia de Deus no município de Guaramirim na década de 1930 é o mote central desse artigo. Trata-se de um relato baseado em pesquisa bibliográfica que efetuei e em depoimentos recebidos de um dos filhos do principal pioneiro dessa denominação religiosa. Para melhor situar o leitor, eu inicio com um breve relato da história do município. Depois vou relatando os fatos relacionados à Assembléia de Deus aos quais tive acesso. Ao final pretendo ter contribuído para trazer à luz, momentos marcantes da história guaramirense que, muitas vezes, passam despercebidos na atualidade.

Para Baixar/Ler clique aqui. Paper TG
Sobre a TV em SC (Túnel do Tempo) 01 05, 2009
Posted by Tiago in Sem Categoria.Tags: Band, Globo, merchandising, Merchandising Religioso, Record, Rede TV, Religião, SBT, Televisão, TV Aberta, TV Digital
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02/11/2007 (retirado do meu blog no GloboOnliners que será extinto nesse mês…)
Desde ontem uma notícia vem causando furor nos veículos de comunicação por aqui: Quatro emissoras que retransmitiam a programação do SBT a partir de fevereiro de 2008 passarão a transmitir o sinal da TV Record. Os defensores do SBT chiam e dizem que os bispos estão querendo dominar o Brasil, fazer um novo monopólio, etc.
Na minha modesta opinião de telespectador, por mais ávida que seja a sede de Edir Macedo para ganhar da Rede Globo, no presente caso ele não teve nada a ver com a história. Segundo o jornal local Notícias do Dia o Grupo Petrelli que é dono da Rede SC, atual repetidora do SBT, está se aliando á RIC, que tem sede no Paraná e é afiliada da TV Record, no intuito de formarem o segundo maior grupo de comunicação do Sul do Brasil para brigarem de igual para igual com o Grupo gaúcho RBS, que é afiliado á Globo e que hoje detêm a liderança na audiência na região.
Sou favorável a competição saudável entre as redes. Monopólios não fazem bem a ninguém. Ainda mais em se tratando do uso de uma arma tão poderosa quanto a mídia televisiva. E no panorama que vislumbro para o próximo ano a promessa é de que o público venha a ganhar. As emissoras que hoje então transmitem a Record aqui no estado passarão a transmitir a programação do Record News e as que hoje são o SBT serão então a Rede Record. Com isso acredito que vai se acirrar a luta não só por anunciantes, mas também pela audiência. E para bater um canal noticioso como o Record News as demais emissoras vão ter de investir em jornalismo de qualidade, com isso a comunidade deve sair ganhando.
Existe é claro uma grande dúvida sobre a forma como o SBT vai reagir, se conseguirá outras emissoras ou se nosso estado vai perder o sinal aberto da rede de Sílvio Santos. De qualquer modo, como já disse, quem deve sair ganhando é o telespectador.
Por aqui a discussão está bombando. Já vi alguns tópicos em comunidades no Orkut e em outros fóruns de mídia do estado. A maioria das pessoas está defendendo passionalmente o canal de sua preferência. Contudo há alguns pontos que devemos levar em consideração.
Quando o ranking da audiência era esse, nada acontecia:
1) GLOBO
2) SBT
3) BAND
4) RECORD
Ninguém falava dos pastores que gritavam coisas sem nexo em louvor á Jesus e muito menos da Record. Em minha opinião há hoje certa discriminação quanto ao credo evangélico, afinal a Globo também faz merchandising religioso (espiritismo), embora de forma sutil e ninguém reclama disso.
Quando o ranking sofreu a seguinte alteração:
1) GLOBO
2) SBT
3) RECORD
4) BAND
Aí começou o falatório. Todos diziam que a Record recebia dinheiro da IURD, que isso era ilegal e vinha um blá blá blá sem fim.
Agora que o ranking é esse:
1) GLOBO
2) RECORD
3) SBT
4) BAND
Muitos fãs do SBT vêm com a prosopopéia flácida para acalentar bovinos dizendo que a contabilidade da Record precisa ser vistoriada, que a IURD “dá” emissoras para a Record . Mas muitos não pensam na acomodação. Sim! Globo e SBT sempre acharam que o ranking da audiência não iria mudar. Acomodaram-se. A Record se aproveitou disso e montou uma programação de boa qualidade . E o resultado: Aumento de audiência, faturamento e ganho de uma posição no Ibope.
Isso gerou a fúria das demais emissoras que farão de tudo para abafar a ascenção da Record. Reafirmo, porém que apesar de tudo, nessa disputa quem deve se beneficiar são os telespectadores. Quem sabe se agora o nível da programação não recebe uma melhora geral? Há claro o risco de as redes apelarem para programas com apelo sexual, por exemplo, para garantirem audiência. Então não vou pôr minha mão no fogo por ninguém. Vamos esperar pra ver. Pois correndo por fora anda há a questão da TV digital. Quem melhor se adaptar sobreviverá…
Sonho com uma TV de qualidade no Brasil. Muitos caminhos na educação poderiam ser abertos através dela…
Quem sabe um dia!
A REFORMA PROTESTANTE 05 03, 2009
Posted by Tiago in ARTIGOS.Tags: 95 teses, Anglicanismo, artigo, Calvinismo, Capitalismo, Catolicismo, Contra-Reforma, Guilherme de Orange, História, História Moderna, Humanismo, Idade Moderna, Igreja, Inquisição, John Knox, Lutero, Martinho Lutero, paper, Reforma Protestante, Religião, Renascimento
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RESUMO: A reforma protestante foi junto com o renascimento cultural o fator fundamental para a mudança de atitude que ocorreu na Europa e se transformou no divisor de águas entre a idade média e a era moderna. Nesse artigo vamos procurar relatar algumas questões inerentes a reforma. É claro que em virtude do trabalho abranger variados aspectos vamos talvez sacrificar a profundidade em prol da abrangência.
Palavras chave: Humanismo; Reforma; Idade Moderna.
1 INTRODUÇÃO
Segundo Santos (2008) a Reforma Protestante pode ser considerada, junto com o Renascimento, o prelúdio da Modernidade na Europa. Tal consideração ocorre porque esse movimento está intrinsecamente ligado à liberdade política e ao capitalismo. A marca que identifica esses dois movimentos é a instauração da liberdade humana: tanto a Reforma como o Renascimento foram produtos do Humanismo, onde estudiosos e teólogos tinham desejos de voltar no tempo e buscar na pureza da Antigüidade Clássica a origem para Renovação que o homem tanto desejava. Ou seja, era necessário que o homem voltasse ao seu passado para conseguir se libertar no seu presente.
Prossegue dizendo Santos (2008) que mesmo tendo o mesmo embrião filosófico/teórico, o desenrolar dos dois movimentos teve uma enorme diferença na sociedade que o criara: enquanto o Renascimento atingiu apenas as elites da sociedade (tanto econômicas como políticas e culturais), a Reforma alcançou toda a massa populacional européia: dos mais altos governantes até os mais simples camponeses, todos foram tocados por ela.
Partindo desses pressupostos pretendo nesse artigo delinear vagamente os efeitos da Reforma ou em outras palavras vou procurar definir quais foram as reações que essa ação coletiva causou.
2 CONTEXTUALIZANDO A ÉPOCA
Segundo Oliveira (2000) no início do século XVI, a Igreja atravessava uma das fases mais árduas da sua história. Ela já não era pequena, simples e pura como nos primórdios. Havia crescido. Com esse crescimento vieram também problemas profundos e prolongados. Alguns sacerdotes inescrupulosos julgavam-se donos da que outrora fora a causa do “Senhor”. Era necessária uma reformulação nos conceitos da velha organização. Uma faxina sem precedentes, a bem da verdade, uma reforma.
Em contrapartida o resto do mundo começava a despertar da letargia da era passada. Esse despertar se processou de forma tão extraordinária que foi necessária uma nova palavra: Renascimento. Segundo Oliveira (2000) o movimento renascentista, surgido no século XIV assumira toda a sua grandeza no final do século XV. Todas as faculdades da natureza humana haviam sido dimensionadas e todas as atividades humanas apresentavam grandes progressos. Vivia-se uma época de grandes conquistas.
Para que ilustremos essa fala, basta nos lembrarmos de Colombo descobrindo a América; Cabral aportando no Brasil; do tamanho exato da Terra sendo determinado; da descoberta do sistema solar por Copérnico, que revolucionou as idéias humanas sobre o universo. Também foi nessa época que Gutenberg criou a imprensa de tipos móveis. Graças a esses recursos as idéias se espalhavam mais rapidamente. A mente humana foi ainda mais despertada e fortalecida para futuros empreendimentos, um dos quais veio a ser a Reforma Protestante.
3 A REFORMA
Por viverem esse momento épico da história humana, muitos religiosos começavam a ver com maus olhos as atitudes antiquadas da Igreja. Com uma sociedade que começava a despertar para a existência do lucro o ascetismo da Igreja passou a não funcionar. Para Dauwe (2008) a Reforma era um movimento coerente com a nova sociedade que estava surgindo. Nesse ponto parece-me que ele quer dizer que foi fruto de uma necessidade muito mais econômica do que expressamente religiosa. Os burgueses queriam ter seus lucros vendendo seus produtos pelos preços que melhor entendessem, cobrando juros dos seus empréstimos e sem ter nenhum encargo de consciência. Outros historiadores como Oliveira (2000) defendem a idéia de que a Reforma foi puramente religiosa, que seu caráter econômico ou político foi somente entendido e utilizado muito depois do seu início, para o historiador, foi em 1512, enquanto lia a Bíblia Sagrada que Lutero se deparou com uma declaração revolucionária: “o justo viverá da fé”, passagem essa que lhe deu a idéia de que não era necessária a figura do clero como intermediário entre Deus e os pecadores. Sendo dessa forma, sua idéia original não passava de uma discussão teológica, não tendo necessariamente a função sócio-política que Dauwe crê vislumbrar.
De qualquer forma ambos os pontos de vista são equânimes em dizer que Lutero, o mentor da Reforma, não tinha pretensão de se opor à Igreja, muito menos criar uma nova religião (DAUWE, 2008). O que ele queria era mesmo reformar a velha organização medieval querendo para isso apoio do papa. Como a direção da Igreja não estava a fins de perder o status que tão bem lhe caia desde o início da Idade Média, Lutero foi desacreditado, combatido e posteriormente excomungado. Contudo, e eu acho que aí começa realmente a tomar corpo a função política da Reforma, o povo e principalmente os governantes locais passaram a ver na Reforma uma boa opção para libertar-se do jugo da Igreja. Dauwe deixa isso bem claro quando diz que “os príncipes germânicos perceberam que as idéias de Lutero eram um ótimo pretexto para tomar terras da Igreja e de seus inimigos” (2008, p. 59). Nessa mesma linha Oliveira (2000) complementa “Foi nesse clima de euforia que a partir de 1520 os ensinos reformistas de Lutero dominaram rapidamente a maior parte da Europa”.
Segundo Oliveira (2000) ao mesmo tempo em que Lutero brigava na Alemanha, Calvino contestava a Igreja em Genebra, Guilherme de Orange protestava nos países baixos, John Knox ia à luta na Escócia e o Anglicanismo de Henrique VIII dava um basta na influência da Igreja na Inglaterra. Quer dizer, inúmeros focos revoltosos surgiam por toda a parte. A Igreja não poderia ficar alheia a isso tudo. Contudo segundo Oliveira (2000) a Igreja se achava em estado de tal decadência, e os papas da época tão interessados na vida privada e desinteressados da religião que, por espaço de um quarto de século após o início do movimento reformador, pouquíssimas foram as medidas para reprimi-lo.
4 A CONTRA-REFORMA
Segundo Oliveira (2000) foi no ano de 1541 que a Igreja acordou por fim da sua aparente letargia e passou a empregar medidas mais severas na repressão ao protestantismo. Era o início do que foi chamado posteriormente de contra-reforma. Três foram os meios escolhidos para conter o avanço dos revoltosos: a Sociedade de Jesus, o Concílio de Trento e a Inquisição.
O propósito da Sociedade de Jesus era promover o progresso eclesiástico e lutar contra os inimigos da Igreja por todos os meios possíveis. Era trabalho incessante, num espírito de lealdade ao papa, lealdade essa inquestionável. (OLIVEIRA, 2000). Um dos métodos de operação bastante difundido da Sociedade foi de caráter político. Nos governos católicos os jesuítas passaram a inspirar devoção à Igreja e ódio ao Protestantismo. Esse caráter se viu de forma bastante clara nas Guerras Religiosas que irromperam por toda a Europa nessa época. Outro caráter da Sociedade era o de expandir as fronteiras da Religião catequizando povos pagãos. Foram eles que estiveram educando os índios brasileiros quando do início da exploração de nossa terra.
O Concílio de Trento foi destacado pelo fato de ter sido através do mesmo que a Igreja formulou uma declaração completa da sua doutrina. Embasando a sua batalha contra os dissidentes. Ao final desse concílio havia sido criado o Índex (lista de livros proibidos) e também reforçada a atuação do Tribunal da Inquisição (DAUWE, 2008).
A Inquisição, segundo Dauwe (2008) tinha a tarefa de investigar desvios de fé e também desvios de conduta dos súditos. De acordo com o site Wikipédia.com (2008 a) “Ao contrário do que é comum pensar, o Tribunal do Santo Ofício é uma entidade jurídica e não tinha forma de executar penas. O resultado da inquisição, feita a um réu, era entregue ao poder régio, muitas vezes com o pedido de que não houvesse danos nem derramamento de sangue”. De qualquer forma essa foi uma forma que a Igreja encontrou de desencorajar os fiéis a abandonarem a Fé Católica.
5 CONCLUSÃO
Podemos dizer então, que a principal das reações da Reforma Protestante foi a Contra-Reforma e suas medidas que afetavam a sociedade da época. É uma resposta correta, mas pode soar simplista. Então vamos destacar mais alguns pontos. De acordo com o site Wikipédia.com (2008 b) existiram outros efeitos.
O resultado deste movimento religioso é uma mais fervorosa observação dos princípios morais cristãos tais como eles estão expressos na Bíblia. Os movimentos de zelo religioso que têm lugar na Europa do século XVI são para ser entendidos no contexto do efeito multiplicador iniciado pela invenção da imprensa por Gutenberg. Se a bíblia não estivesse agora acessível a cada um, traduzida nas línguas e dialetos locais, compreensível aos Europeus, tal como ela começou a surgir no século XVI, tal zelo religioso não teria sido possível. Anteriormente ao século XVI, a bíblia era um manuscrito em Latim, (língua dominada por uma minoria) do qual havia poucas cópias, que se encontravam fechadas nos conventos e nas igrejas, lidas por uma elite eclesiástica. A grande maioria da população nunca a tinha lido. No século XVI, ela está disponível em grandes números e nas línguas e dialetos locais. Não é de admirar pois que a religião se torne um tema polêmico.
E segundo Dauwe (2008) houve outro rebento dessa época que pode ser destacado: O capitalismo. Diz ele que diversos estudiosos apontam uma relação muito estreita entre a ética desenvolvida pelos protestantes (principalmente por Calvino) e o desenvolvimento do capitalismo. Como mostrei no trabalho, razões existem para que se possa assim pensar. Libertando os homens da visão do lucro como pecado, o caminho natural foi a instauração do livre mercado e todas as variantes relativas ao referido sistema econômico.
Assim concluo voltando ao pensamento original, de que a reforma protestante, aliada ao Renascimento cultural foi a gênese da Modernidade. Como bem dizia Santos (2008) somente a Reforma Protestante conseguiria saciar a sede espiritual do momento – sede essa que não era sentida apenas pelos intelectuais ou príncipes, mas por todos. O que justifica sua enorme difusão. Apenas a Reforma poderia abalar (como de fato abalou) a mais rígida instituição feudal: a Igreja Católica. Assim, podemos dizer que o tão falado Renascimento Cultural, sozinho não poderia transformar o pensamento medieval em moderno. Dessa forma podemos dizer que a Reforma Protestante é a grande responsável pela mudança de atitude no pensamento e no modo de vida do mundo ocidental.
6 REFERÊNCIAS
DAUWE, Fabiano. Caderno de Estudos: História Moderna. Indaial: Ed. ASSELVI, 2008.
OLIVEIRA, Raimundo Ferreira de. História da Igreja: dos primórdios à atualidade. 4ª ed. Campinas: EETAD, 2000.
SANTOS, Ynaê Lopes dos. A Reforma. Disponível em <http://www.klepsidra.net/klepsidra6/areforma.html> Acesso em: 18 jun. 2008.
WIKIPEDIA.COM(a). Inquisição. Disponível em <http://pt.wikipedia.org/wiki/Inquisi%C3%A7%C3%A3o>. Acesso em 18 jun. 2008.
WIKIPEDIA.COM(b). Reforma Protestante. Disponível em <http://pt.wikipedia.org/wiki/Reforma_Protestante>. Acesso em 18 jun. 2008.
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