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EDUCAÇÃO em FOCO (Túnel do Tempo) 01 05, 2009

Posted by Tiago in ARTIGOS.
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Estava como sempre faço, lendo com um pé atrás a edição dessa semana da revista Veja e me surpreendi com a entrevista dada pelo Ministro da Educação Fernando Haddad à jornalista Mônica Weinberg. Em tempos de crise na educação ele vem com uma proposta que a primeira vista parece coerente e aplicável. Três pontos são por ele destacados na entrevista:

• Diretores escolhidos pelo mérito e não por interesses políticos;
• Envolvimento da família no processo educacional;
• Valorização dos professores
.

Sucinto, coerente, aplicável, mas simplista. Vamos à análise desses pontos e veremos como se confirma a teoria de que o governo sempre opta pelo simples & prático e que no fim não passa de demagogia.

Quem trabalha na área sabe como é importante ter na direção da escola pessoas competentes que realmente entendam do assunto. Eu vejo muito diretor mal preparado que se acha chefe dos professores e que usa da sua pseudo-autoridade para aparecer. Estão longe de serem realmente profissionais da educação, são na verdade mercenários a serviço dos seus próprios interesses. Contudo a forma que Haddad propõe para se coibir essas situações seria apenas um questionário na fase pré-seleção. Não creio que essa seja a solução. A meu ver, o que deve ser feito é criar maneiras de policiar a atuação dos profissionais enquanto desempenham suas funções, não antes, mas durante. E que as ações que representem um desvio do padrão sejam severamente punidas. Educação de qualidade começa com uma boa administração.

A questão da família também deve ser abordada com mais atenção. Que falta envolvimento todo mundo está cansado de saber. Os pais estão passando para a escola toda a obrigação de educar os filhos. E como se sabe, há um limite. A escola é uma instituição criada para transmitir o saber científico. Noções de comportamento, vivência em sociedade, respeito ao próximo, higiene pessoal, alimentação saudável devem ser aprendidas em casa. Ou seja, a escola tem gasto muito tempo desempenhando funções que não são suas. Assim quando chega o fim do ano o que se vê são alunos que tiveram apenas dois terços do conteúdo que estava previsto no início do ano e que aprenderam de verdade apenas um terço desse. Quer dizer, um terço de dois terços de um total que mesmo inteiro não é suficiente. É um resultado muito insatisfatório.

Mas e agora? O que fazer para devolver para a família o seu papel? Eu estou aqui falando do ensino público. Quem estuda em escola pública? Filhos das classes menos favorecidas. Pra mim não existe classe média. Ou se é elite ou não se é! Pobre não estuda em escola de rico e vice-versa, salvo, claro as exceções. Assim torna-se necessário recorrer mais uma vez a Marx: “As relações de produção é que determinam as relações sociais”. Por que a família passou a bola pra escola? Porque foi necessário. Eu estou falando aqui da minha realidade, daquilo que vejo ao meu redor. Talvez em outro lugar seja diferente, talvez se eu analisasse isso do alto de um condomínio de luxo no Morumbi em São Paulo eu tivesse uma visão diferente. Talvez. O fato é que a família tal como a gente conhece está mudando. Aquele núcleo familiar pai-mãe-filhos em muitos casos deixou de existir. Temos hoje crianças que vivem com os avós, outras que vivem com a mãe e o amigo da mãe, outras ainda com os tios (Será influência das revistinhas da Disney?). E mesmo nas famílias que ainda tem a estrutura tradicional são raras às vezes em que as partes desse esqueleto estão juntas. O mundo moderno impõe um ritmo forte às relações sociais. Agora papai e mamãe trabalham fora e só tem tempo de estar com os filhos nos finais de semana. Assim o que fazem? Exigem a criação de creches em período integral e desde a mais tenra infância dos filhos delegam suas funções de pais para as “tias”. À medida que o tempo vai passando cada vez mais eles se escondem atrás das suas vidas e repassam para a escola a obrigação de criar seres humanos. A escola não foi feita para isso. A escola foi feita para educar seres humanos.

Assim indago: Como o ministro da educação vai fazer para devolver o papel da família a ela? Será que vai aumentar o salário que o papai recebe deixando assim a mamãe livre para cuidar dos filhos? Poderiam me chamar de machista, mas não sou. Pode ser o contrário. Paguem as mães, liberem os pais. Mas no fundo quando eu falo em educação familiar tenho as duas figuras em mente. Pai e mãe.
E agora, qual será a solução do ministro?

O terceiro ponto é ainda mais polêmico. Na entrevista ele diz textualmente que “boas escolas conseguem dar aos professores certos horizontes na carreira”. E logo depois ele diz que nem sempre isso significa um sentido financeiro. Eu concordo que um professor que ganhe bem, mas que não tenha mais o “tesão” não vai render nada. É preciso sim motivar o professor de formas outras que não materiais. A valorização vai além do retorno financeiro. Eu acredito que não há salário que se compare ao caso, por exemplo, de no futuro eu encontrar um ex-aluno na rua e receber um caloroso abraço em agradecimento aquilo que eu tenha ajudado ele a conquistar. Isso é reconhecimento. E ter um lindo horizonte também é saber que eu posso entrar tranquilamente na sala de aula e dar a minha aula sem correr o risco de ser agredido por um bandido que eles insistem em chamar de aluno. Conheço professores amigos meus que tiveram sérios problemas com adolescentes que não iam à escola estudar. Iam apenas porque eram obrigados. Um aluno desse tipo basta para acabar com a sua programação de aula. E você saber que naquela determinada sala não irá conseguir ensinar nada naquele dia tira completamente a sua motivação.

Outro fator motivacional importante são os recursos postos á disposição dos professores. Todo mundo está careca de saber que se aprende melhor usando diferentes sentidos. Chega de aulas expositivas maçantes; a garotada quer e merece coisas novas. Chega de longas explicações desenhadas a giz em um quadro-negro; tem muito professor alérgico a pó de giz. Mas na maioria das escolas este ainda é o método padrão. Os recursos que o governo disponibiliza estão muito aquém do ideal.

Não obstante as dificuldades os professores poderiam de certa forma deixar esses problemas de lado no fim de semana e voltarem na segunda-feira mais animados. Mas para que isso acontecesse seria preciso o professor ter o que fazer no dito fim de semana. Agora, como ir ao cinema com a namorada sem grana? Como passear na praia com a namorada sem namorada? E como ter namorada sem ter um carro? E como ter um carro ganhando salário de professor? Estou brincando é claro, mas a situação é similar a essa. Falta dinheiro. Professor que se preza estuda. Faz cursos. Compra livros. Vai ao cinema. Freqüenta museus. E tudo isso gera custos. E a ausência disso tudo desmotiva. No dia em que eu me obrigar a entrar em sala de aula e passar apenas o conteúdo do livro didático eu desisto de ser professor. Precisamos sempre de algo mais. E esse algo mais senhor ministro da educação também envolve dinheiro. Quer educação de qualidade? Pague por ela.

A ESTATÍSTICA E A ESCOLA 04 12, 2008

Posted by Tiago in ARTIGOS.
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RESUMO: A Estatística como ferramenta do ambiente escolar vista sob o prisma do professor é o tema deste artigo. Procuro conceituar essa ciência e teço um breve comentário sobre o uso que professores e funcionários administrativos de uma escola podem fazer dela.

Palavras chave: Estatística; Métodos; Escola.

1 INTRODUÇÃO

Segundo Gesser & Dalpiaz (2007) estatística é uma parte da matemática aplicada que fornece métodos para coleta, organização, descrição, análise e interpretação de dados e para a utilização dos mesmos na tomada de decisões. Conhecida desde a antiguidade chega à nossa época com um caráter científico peculiar. Transcrevo aqui uma breve linha do tempo da história da estatística que retirei do site do Prof. Paulo Cezar Ribeiro da Silva (2008):

ANTIGUIDADE: os povos já registravam o número de habitantes, nascimentos, óbitos. Dessa forma estavam já a fazer “estatísticas”, mesmo que sem saber. IDADE MÉDIA: as informações eram tabuladas com finalidades tributárias e bélicas. SEC. XVI: surgem as análises sistemáticas, as primeiras tabelas e os números relativos. SEC. XVIII: a estatística com feição científica é batizada por Godofredo Achenwall. As tabelas ficam mais completas, surgem representações gráficas e os cálculos de probabilidades. A estatística deixa de ser uma simples tabulação de dados numéricos para se tornar um estudo de como se chegar a conclusão sobre uma população, partindo da observação de partes dessa população (amostra).

Segundo Gesser & Dalpiaz (2007), no nosso cotidiano freqüentemente usamos a estatística e ás vezes nem nos damos conta. Quando cozinhamos algum alimento e provamos uma pequena parte numa colher para ver como está o tempero, estamos estatisticamente auferindo o todo por uma amostra. Isso é estatística! Nesse artigo tratarei de tecer um breve comentário sobre essa ciência e o uso que pode ter no ambiente escolar. Cabe lembrar também que a estatística não se resume apenas à amostragem, mas para fins de síntese, nesse artigo vou ater-me a esse ramo da estatística.

2 A ESTATÍSTICA E A ESCOLA

De acordo com Junior (2008) vivemos hoje em uma sociedade, em que a todo o momento surgem várias avalanches de novas informações que homens e mulheres têm de processar rapidamente. Para que isso ocorra de forma satisfatória é necessário usar ferramentas adequadas. A estatística surge trazendo em seu bojo a solução para resolver esse problema.

Como disse na introdução a estatística fornece métodos que auxiliam na organização dessas informações. Segundo Silva (2008) método “é um meio mais eficaz para atingir determinada meta” e na estatística destacam-se dois métodos: o experimental e o estatístico. O experimental consiste em manter fixas várias causas menos uma que é variada para que se possam observar seus efeitos. Já o método estatístico surge na eventualidade de não se conseguir manter as causas constantes então “admitem todas essas causas presentes variando-as, registrando essas variações e procurando determinar, no resultado final, que influências cabem a cada uma delas” (Silva, 2008).

Na parte administrativa de uma escola freqüentemente ocorrem situações em que se é preciso fazer mensurações variadas. Por exemplo, determinar a quantidade de alunos que utilizam o transporte coletivo para virem à escola. Numa população pequena é possível fazer uma pesquisa que englobe a totalidade dos alunos, mas no caso de uma escola com milhares de alunos divididos em três ou mais períodos o método mais recomendado seria o da amostragem. Segundo Gesser & Dalpiaz: “Na maioria das vezes, por impossibilidade ou inviabilidade econômica ou temporal, limitamos as observações referentes a uma determinada pesquisa a apenas uma parte da população. A essa parte proveniente da população denominamos amostra” (2007, p.39).

Um ponto negativo dessa forma de pesquisa é que se a amostra não representar bem o todo, acabam-se fazendo predições inexatas. Por isso é importante selecionar cuidadosamente os elementos que serão observados, “de tal forma que os resultados da Amostra sejam informativos, para avaliar características de toda a população” (GESSER & DALPIAZ, 2007, p.39).

Profissionais da parte de apoio pedagógico de uma escola também podem usar a estatística para trabalharem com mais propriedade. Montar gráficos das áreas que são mais carentes de atenção no corpo discente pode ser uma boa arma para atacar os problemas de aprendizado e comportamento de forma mais rápida e eficiente. Deixando ás vezes de trabalhar apenas com os efeitos e indo atacar diretamente as causas desses males.

Contudo a estatística não serve apenas à parte administrativa e pedagógica de uma escola. Nós como professores também podemos e devemos fazer uso dela. Tenho comigo a opinião de que o professor precisa estar sempre se auto-avaliando e também medindo o feedback que recebe dos educandos. Para que os dados provenientes desse tipo de situação possam ser mais bem apreciados, nada melhor que visualizá-los em um gráfico e aí mais uma vez entra a estatística.

Também é interessante fazer um mapeamento geral dos alunos que temos, fica assim mais fácil de selecionarmos métodos eficazes de acordo com cada classe. Por exemplo, se 80% de uma classe tem acesso à informações diariamente, seja através da internet, de jornais, de revistas, do rádio ou da TV, é possível preparar aulas que façam ligação entre o conteúdo a ministrar e a realidade presente no cotidiano. Por outro lado, se apenas uma parcela ínfima têm acesso à esse tipo de ferramenta, talvez seja melhor usar outros métodos, que tenham mais a ver com a realidade daquele grupo de alunos.

Fora da área avaliativa, creio que a estatística também possa ser usada na hora de repassar o conteúdo da sua disciplina. Pedir que os alunos realizem pesquisas e montem gráficos pode ajudar na hora de fixar o conteúdo. Numa aula de ensino religioso, por exemplo, podemos dar o dado de que a maior parte da população de uma determinada localidade professa a religião católica. Os alunos com certeza vão acreditar, mas se fizermos junto a isso uma pesquisa onde eles mesmos encontrem esses dados, certamente o conteúdo será bem mais interiorizado.

Nas aulas de geografia ou sociologia, ou mesmo de história é possível usar a estatística para estudar coeficientes de variação populacional, mensurações variadas do coeficiente de enriquecimento de determinada classe social ou grupo de países, etc. Acredito que levar os alunos a buscarem dados é uma experiência muito mais enriquecedora do ponto de vista do conhecimento, do que apenas fornecer as informações já decodificadas.

3 CONCLUSÃO

Assim como a grande maioria das pessoas que conheço, sempre tive certo receio de trabalhar com números, tabelas, gráficos, símbolos matemáticos, equações, séries estatísticas e afins. Tanto é que para escapar dos números optei por uma licenciatura em História. Mas no decorrer do estudo dessa matéria pude perder um pouco o pavor dos números. Para isso contribuiu o fato que Gesser & Dalpiaz resumem: “A estatística é naturalmente usada em nossa vida diária” (2007, p. 39). Partindo desse ponto de vista foi mais fácil observar e estudar tal conteúdo.

E já que a matemática e conseqüentemente a estatística faz parte do nosso cotidiano, a escola não escapa do rol de locais propícios para a atuação dessa ciência. Como vimos podemos utilizá-la de diversas formas, desde ferramenta de uso administrativo até a promotora de conhecimento em nossas aulas, passando por ferramental importante na auto-avaliação da nossa atuação docente. Do que se conclui que mesmo que venhamos a nos esconder atrás de um livro de história, a matemática com seus insensíveis números ainda há de nos encontrar e nos obrigar a trabalhar com ela.

4 REFERÊNCIAS

GESSER, Prof. Kiliano; DALPIAZ, Profª Márcia Vilma Aparecida Depiné. Caderno de estudos: estatística. Indaial: Ed. ASSELVI, 2007.

JUNIOR, Eimar França de Barros. A pedagogia tradicional e as desigualdades de classe. Disponível em <http://www.nead.unama.br/site/bibdigital/monografias/PEDAGOGIA_TRADICIONAL.pdf> Acesso em 16 fev. 2008.

SILVA, Prof. Paulo Cézar Ribeiro da. A natureza da estatística. Disponível em <http://www.geocities.com/pcrsilva_99/2A1.HTM> Acesso em 20 nov. 2008.