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Sobre Telecinese 25 04, 2009

Posted by Tiago in ARTIGOS.
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Nos últimos anos temos visto aumentar a discussão sobre eventos paranormais dentre eles a telecinese. Atendendo ao pedido de um amigo, eu efetuei algumas pesquisas, li alguns livros e agora vou então dar a minha opinião sobre o assunto.

Gostaria primeiro de me contextualizar. Sou um cético. O que vem a ser isso? Ser cético é “ver para crer” continuando assim a pôr em prática a antiga sabedoria de São Tomé. É não aceitar alegações extraordinárias sem provas ou evidências concretas. É trocar a fé pela ciência, esta última muito mais útil, produtiva e confiável.
Falo aqui do chamado “ceticismo científico” (diferente do ceticismo filosófico e epistemológico), uma ferramenta muito útil que me permitiu então uma análise crítica e moderna do assunto e de todos aqueles fenômenos ditos “fronteiriços”, que ocorrem em áreas à margem da ciência.

A telecinese está inserida num contexto das chamadas paranormalidade e pseudociências. Mas o que vem exatamente a ser essa tal paranormalidade? É toda a experiência que parece transcender as leis naturais e estar fora dos limites da experiência normal ou dos fenômenos explicáveis pelos conhecimentos científicos existentes. O que define a paranormalidade de certos fenômenos é que os cientistas não podem referendar sua existência ou ocorrência com uma explicação ou teoria considerada plausível. Por exemplo, os fenômenos parapsicológicos tais como a telepatia, a telecinese, a clarividência e a precognição são exemplos típicos do paranormal, pois não podem ser aprovados e explicados pela ciência atual.

Pseudociência e paranormalidade não são a mesma coisa. Muitas crenças não são científicas porque violam as regras de evidência e os métodos de pesquisa científica, porém não são paranormais no sentido de invocar um poder ou mecanismo causal que contraria as leis da natureza.

Crenças em fenômenos exóticos, tais como, o Mapinguari, Nessie, Yeti e Big Foot representam exemplos típicos de pseudociência. Teoricamente, dentro dos parâmetros atuais da ciência, tais criaturas poderiam existir sem violar nenhuma lei natural, porém a maioria dos cientistas considera que as evidências que poderiam apoiar sua existência são fracas, inconclusas, contraditórias ou não-confirmatórias.

Os fenômenos do paranormal e pseudociência também têm sido referidos por alguns como “fenômenos fronteiriços” (fringe phenomena, em inglês), na medida em que seu equacionamento e tratamento os situam às margens da ciência atual.

Terence Hines advoga um ponto de vista interessante ao considerar a paranormalidade como um subconjunto da pseudociência. Ele argumenta que todas as crenças paranormais são pseudocientíficas, porém nem toda a pseudociência tem natureza paranormal.

A pseudociência atrai e fascina as pessoas na medida em que apregoa a obtenção de grandes resultados com aplicação de um esforço mínimo. Luis Alfonso Gámez, no livro “Skeptical Odysseys”, com muita propriedade assim descreve o charme e sedução bem como os malefícios causados pela pseudociência:


“… esta é a imagem oferecida pela pseudociência: o acesso a conhecimento mágico, fama e dinheiro fácil sem precisar de estudo ou perseverança, está ao alcance de qualquer um capaz de ler um par de livros. Para esses, o estudo do paranormal vale mais que o esforço gasto em estudos tradicionais, tais como cursar uma faculdade ou lutar por um título de pós-graduação. Não é preciso nada para virar um especialista do paranormal. É por isso que há muitos deles por aí. Contudo, é preciso um tipo especial de caráter.”

“A pseudociência mata, pura e simplesmente. Deve-se à pseudociência, por exemplo, as mortes prematuras de pessoas que caíram nas mãos de curandeiros e recusaram terapias da medicina convencional tais como cirurgias cardíacas ou tratamentos contra o câncer que poderiam ter salvo suas vidas. Graças aos que administram a “cura pela fé”, muitas centenas de diabéticos são hospitalizados em estado de coma após interrupção do seu tratamento insulínico seguindo as recomendações desses ‘terapeutas’. Muitos doentes de câncer abandonam a medicina científica e passam a tomar poções homeopáticas, extratos de ervas, cartilagem de tubarão ou submetem-se a cirurgias mediúnicas. Muitas famílias (nos EUA) foram destruídas quando um de seus membros denunciou abuso sexual infantil com base em memórias reprimidas relatadas em sessões de hipnose, e admitidas nos tribunais como prova única.”

“Devemos tudo isso, e muito mais, à pseudociência: pessoas inocentes são burladas em bilhões de reais por falsos profetas e com total impunidade; muitas empresas selecionam seu pessoal com base em análise de caligrafia orientada por consultores em grafologia ou em horóscopos de astrólogos em vez de dar atenção às capacidades genuínas dos candidatos a um posto de trabalho; o desperdício da curiosidade de milhares de jovens que caem nas mãos de místicos que oferecem explicações simplistas da realidade; enormes somas de dinheiro que alguns governos desperdiçaram em projetos de pesquisa mal concebidos, dinheiro esse que poderia ter sido usado para melhores finalidades.”

“A maioria das pessoas, em toda a parte, adotam alguma forma de crença esotérica. Os levantamentos estatísticos indicam que, pelo menos entre o grande público, a pseudociência está avançando a passo firme. Algumas pessoas não se importam, mas eu afirmo que a pseudociência é perigosa não só para os seus discípulos, mas também para a sociedade inteira.”

Na era moderna um dos maiores expoentes da telecinese é o controverso Uri Geller. Uri Geller é um austro-húngaro nascido em Israel e que vive na Inglaterra. Tornou-se famoso ao pretender dobrar colheres e chaves com a força da sua mente. Muitos mágicos fazem o que Geller faz, mas intitulam-se mágicos. Bons ilusionistas enganam o mais esperto dos homens. Podem suspender objetos no ar, ler a sua mente, descrever desenhos escondidos, etc. Mas não nos espantam acertando na loteria ou curando o cancro. Porque é que usam aviões e não se tele transportam? Porque é que levam o carro ao mecânico quando ele se avaria? Porque é que movem um fio dentro de uma garrafa em vez de deslocar água para um incêndio numa floresta? Porque aí seria necessário mais que um truque de ilusionismo. Porque é que as pessoas mais inteligentes se convencem que testemunham atos paranormais? Porque não são suficientemente inteligentes para reconhecer que podem facilmente ser enganadas. Richard Feynman, que se encontrou com Uri Geller disse “Sou esperto suficiente para saber que sou burro,” significando que percebia que um bom ilusionista conseguia parecer violar as leis da física de modo que nem um grande físico conseguia perceber o truque.

Do outro lado temos James Randi, fundador da James Randi Educational Foundation, que desde de 1996 oferece um prêmio de um milhão de doláres para quem conseguir realizar algum evento paranormal em um ambiente controlado. Desnecessário dizer que até hoje ninguém faturou o prêmio.

Mas e então qual é a minha conclusão? Eu não creio que seja possível movermos objetos usando o poder da mente, o nosso Shakra ou o que quer que seja. Isto é uma regra, admito exceções. Contudo acho que tudo tem uma explicação lógica e racional. Se ainda não conseguimos explicar muitas coisas é porque ainda não temos o grau necessário de conhecimento ou tecnologia necessário para que assim seja.

É certo que existem fenômenos inexplicáveis, milagres ou o que seja. Contudo se eu tivesse de optar então por acreditar neles mediante a fé, estaria mais propenso a usar os dogmas cristãos de existência de forças sobrenaturais maléficas e benéficas. Ou seja, no bem e mal absolutos e a sua constante evolução sobre os céus do universo invisível. Contraponho-me assim à todas essas filosofias pós-modernas, como a Wicca; que pregam inexistência de um e de outro e que buscam a harmonia e o equilíbrio. Contudo antes de abandonar-me à fé, espero sempre esgotar os estoques da ciência verdadeira.

Para encerrar separei algumas frases sobre o assunto, de diversas personalidades, estudiosos do assunto ou não:

Na verdade, não existe o paranormal ou sobrenatural; há somente o normal e o natural – e mistérios a serem ainda explicados. É tarefa da ciência, não da pseudociência, solucionar esses enigmas com explicações naturais em vez de sobrenaturais.”
Michael Shermer

“É importante perceber que, em cem anos de pesquisas parapsicológicas, nunca houve uma única demonstração adequada da realidade de qualquer fenômeno paranormal (psi).”
Terence Hines

“As guerras religiosas e a caça às bruxas teriam sido bem menos numerosas ao longo da história houvessem as alucinações sido conhecidas como fenômenos naturais e houvessem os ‘possuídos pelo diabo’ sido considerados doentes.”
Robert L. Thorndike

“O que se quer não é a vontade de acreditar mas o desejo de descobrir, que é exatamente o oposto.”
Bertrand Russell

“As ilusões de uma pessoa é insanidade, ilusões de uns poucos uma seita, e de muitos uma religião.”
Autor desconhecido

A mais comum de todas as loucuras é acreditar apaixonadamente no que é evidente não ser verdadeiro. É a principal ocupação da humanidade.”
H. L. Mencken

“Liberdade para investigar espíritos, mas não ‘espíritos santos’, não é liberdade coisa nenhuma.
Bruce L. Flamm e Janice R. Goings

“O maior inimigo da verdade é freqüentemente não a mentira – deliberada, planejada, desonesta – mas sim o mito – persistente, entranhado e irreal.”
John F. Kennedy

“Eu fiz um esforço incessante para não ridicularizar, não menosprezar, não escarnecer as ações humanas, mas sim para compreendê-las.”
Baruch Spinoza

“Então, quando estiver diante da pseudociência, mantenha a navalha de Ockham ao seu lado e entoe o mantra ‘Hipótese, Experimento, Análise’ para manter o tridente da Idiotice longe das suas partes carnudas.”
Steve Cook

Fico feliz por poder cumprir minha promessa, ainda que de forma atrasada e não de todo satisfatória. Mas se algum político resolver seguir meu exemplo talvez o próximo ano não seja tão ridículo…                                                                         

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24/08/2007  (retirado do meu blog no GloboOnliners que será extinto nesse mês…)

O Cristão e a Cidadania 14 09, 2008

Posted by Tiago in PROSA.
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Tenho prazer e alegria em ser um evangélico. Possuo convicções fortes acerca da minha fé, e ao contrário de muitos companheiros que se acham inteligentes e cultos, a fé em Cristo para mim não é apenas uma forma de manifestar meu estado humano coletivo, crédulo e místico. A fé em Cristo para mim é fato vital. Extensão de minha alma. Indissolúvel. Sim, porque muitos são os que acham que “precisamos ter uma religião”, seja qual for, pois ela nos torna humanos. Esse pensamento para mim, é sinônimo de ateísmo, de incredulidade, uma tentativa de sociologizar ou filosofar a fé e, dessa forma, torna-la uma ciência como outra qualquer. Não vai demorar muito e vão inventar o curso superior de “Ciências Teosóficas ou Ciências Teológicas”, se é que já não existe por aí! Dado impressionante é que conheço pastores cujo procedimento na vida prática são o transparente exercício desse conceito. Homens que falam de Deus, porém não o conhecem, senão por uma construção acadêmica desenvolvida no interior dos seminários, que muitas vezes destroem a pureza da fé genuína. Dissecam a essência de Deus transformando-o em um mero objeto de estudo, utilizado depois para o exercício não mais da “vocação” pastoral, mas da “profissão” de Pastor, apropriando-se o agora fundamentado eloqüente de uma certa vantagem de conhecimentos para atrair, com o ônus dessa vantagem aplicada nos discursos (jamais sermãos) e com intenções capitalistas, a fé dos indoutos, ao invés de fundamentar-lhes ainda mais a fé pura com o compartilhamento das evidências históricas que lhe foram acrescentadas.
Enquanto isso, aqueles que conservam a pureza da fé, a submissão e a humildade do início de tudo, esperam por milagres, curas, maravilhas e manifestações de graça, e com razão esperam por isso, porque essas são as verdadeiras promessas para os penitentes, os que se humilham diante dos mistérios de Deus, ao invés de investigar-lhe explicações científicas e vestígios arqueológicos.
Porém, a despeito dessa minha firme defesa à pureza da fé, e ao distanciamento da ciência quando usada para dissecar Deus – e nesse ponto vejo a ciência como ferramenta usada de forma equivocada – não sou a favor de que o exercício da fé pura seja sinônimo de ignorância da realidade social no qual o cristão se insere. Acredito na cidadania, acredito na inteligência, e defendo a busca da razão e do equilíbrio para o exercício da vida social entre cristãos e não cristãos.
Crente não pode nem deve ser burro, nem preguiçoso, nem despreparado, nem alienado, ou seja, desconhecedor de sua função, nem trapaceiro, nem enrolador, nem embromador, esses são comportamentos que se tornam comuns àqueles que vivem ao estilo “zecapagodinho” no seu modelo “deixa a vida me levar, vida leva eu”, e o preço a pagar por esse desleixo é caro, porque nunca serão promovidos nem observados para a promoção, e sim para a demissão. Por causa desse desleixo não se tornam importantes no lugar em que trabalham, mas sim perfeitamente dispensáveis. Sinto tristeza e decepção quando fico sabendo que em uma empresa, na hora do corte de gastos, entre os demitidos, havia um crente. Crente deve ser, acima de tudo, um lutador, um interessado no sucesso. O crente deve buscar ser conhecedor da profissão que exerce. Se mecânico, que seja um excelente mecânico; se balconista, que busque ser o mais competente; se lida com público, que seja tolerante e perfeito conhecedor de sua função e dos direitos daqueles que vai atender; se funcionário, que seja um exemplo de elemento coletivo, para o bem de sua empresa; se patrão, que invista na qualidade do relacionamento com seus empregados para que sua empresa seja irrepreensível entre as demais; enfim, ser cristão é uma constante busca pela qualidade do que fazemos, por um simples motivo: a recomendação de Cristo de que “vejam as vossas boas obras e glorifiquem a Vosso Pai que está nos céus”.
Hoje no Brasil estamos diante de um universo crescente de novos cristãos, porém, a qualitatividade dessa massa que enche os templos, é duvidosa enquanto desconhecedora de seu novo desafio. Deve essa multidão ser urgentemente informada de que a igreja não é apenas o destino final dos que jazem à margem da sociedade, dos abandonados e desprezados que chegam apenas para ser atendidos e sarados e continuar na margem à espera da morte e da redenção. Mas essa multidão dos novos devem ser ensinados que a fé em Cristo tem a função de nos fazer apresentar a glória de Deus à sociedade que ainda permanece incrédula, e isso só será possível quando for implantado no coração dos novos que chegam, o desejo de emergir da margem, da miséria e da desgraça, para buscar a graça de Deus que nos torna em vasos para honra, no lugar onde pisar a planta do nosso pé.
Se nos falta cultura para compreender a sociedade e exercer uma profissão em sua plenitude, nada nos impede de buscar essa cultura. Ela é alcançável! A busca pelo sucesso como cidadãos e trabalhadores, profissionais e profundamente entendidos naquilo que fazemos, só é entendida como “vaidade” pelos preguiçosos que se aquecem sob o cobertor malcheiroso da religiosidade. Vejo dois tipos de cristãos: os que sentam e esperam, e os que levantam e buscam. Mostremos ao mundo a força do evangelho de Cristo, em fazer daquele que antes era um derrotado, em um vencedor de batalhas, um desafiador de obstáculos, um colecionador de triunfos. É assim que Deus espera que honremos o Seu Reino e que sejamos dignos de carregar sobre nossos ombros, de forma aceitável diante dele, o título de “cristãos”.

(Sergio Lopes)