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A REFORMA PROTESTANTE 05 03, 2009

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Lutero e as 95 teses
Lutero e as 95 teses

RESUMO: A reforma protestante foi junto com o renascimento cultural o fator fundamental para a mudança de atitude que ocorreu na Europa e se transformou no divisor de águas entre a idade média e a era moderna. Nesse artigo vamos procurar relatar algumas questões inerentes a reforma. É claro que em virtude do trabalho abranger variados aspectos vamos talvez sacrificar a profundidade em prol da abrangência.

Palavras chave: Humanismo; Reforma; Idade Moderna.

1 INTRODUÇÃO

Segundo Santos (2008) a Reforma Protestante pode ser considerada, junto com o Renascimento, o prelúdio da Modernidade na Europa. Tal consideração ocorre porque esse movimento está intrinsecamente ligado à liberdade política e ao capitalismo. A marca que identifica esses dois movimentos é a instauração da liberdade humana: tanto a Reforma como o Renascimento foram produtos do Humanismo, onde estudiosos e teólogos tinham desejos de voltar no tempo e buscar na pureza da Antigüidade Clássica a origem para Renovação que o homem tanto desejava. Ou seja, era necessário que o homem voltasse ao seu passado para conseguir se libertar no seu presente.

Prossegue dizendo Santos (2008) que mesmo tendo o mesmo embrião filosófico/teórico, o desenrolar dos dois movimentos teve uma enorme diferença na sociedade que o criara: enquanto o Renascimento atingiu apenas as elites da sociedade (tanto econômicas como políticas e culturais), a Reforma alcançou toda a massa populacional européia: dos mais altos governantes até os mais simples camponeses, todos foram tocados por ela.

Partindo desses pressupostos pretendo nesse artigo delinear vagamente os efeitos da Reforma ou em outras palavras vou procurar definir quais foram as reações que essa ação coletiva causou.

2 CONTEXTUALIZANDO A ÉPOCA

Segundo Oliveira (2000) no início do século XVI, a Igreja atravessava uma das fases mais árduas da sua história. Ela já não era pequena, simples e pura como nos primórdios. Havia crescido. Com esse crescimento vieram também problemas profundos e prolongados. Alguns sacerdotes inescrupulosos julgavam-se donos da que outrora fora a causa do “Senhor”. Era necessária uma reformulação nos conceitos da velha organização. Uma faxina sem precedentes, a bem da verdade, uma reforma.

Em contrapartida o resto do mundo começava a despertar da letargia da era passada. Esse despertar se processou de forma tão extraordinária que foi necessária uma nova palavra: Renascimento. Segundo Oliveira (2000) o movimento renascentista, surgido no século XIV assumira toda a sua grandeza no final do século XV. Todas as faculdades da natureza humana haviam sido dimensionadas e todas as atividades humanas apresentavam grandes progressos. Vivia-se uma época de grandes conquistas.

Para que ilustremos essa fala, basta nos lembrarmos de Colombo descobrindo a América; Cabral aportando no Brasil; do tamanho exato da Terra sendo determinado; da descoberta do sistema solar por Copérnico, que revolucionou as idéias humanas sobre o universo. Também foi nessa época que Gutenberg criou a imprensa de tipos móveis. Graças a esses recursos as idéias se espalhavam mais rapidamente. A mente humana foi ainda mais despertada e fortalecida para futuros empreendimentos, um dos quais veio a ser a Reforma Protestante.

3 A REFORMA

Por viverem esse momento épico da história humana, muitos religiosos começavam a ver com maus olhos as atitudes antiquadas da Igreja. Com uma sociedade que começava a despertar para a existência do lucro o ascetismo da Igreja passou a não funcionar. Para Dauwe (2008) a Reforma era um movimento coerente com a nova sociedade que estava surgindo. Nesse ponto parece-me que ele quer dizer que foi fruto de uma necessidade muito mais econômica do que expressamente religiosa. Os burgueses queriam ter seus lucros vendendo seus produtos pelos preços que melhor entendessem, cobrando juros dos seus empréstimos e sem ter nenhum encargo de consciência. Outros historiadores como Oliveira (2000) defendem a idéia de que a Reforma foi puramente religiosa, que seu caráter econômico ou político foi somente entendido e utilizado muito depois do seu início, para o historiador, foi em 1512, enquanto lia a Bíblia Sagrada que Lutero se deparou com uma declaração revolucionária: “o justo viverá da fé”, passagem essa que lhe deu a idéia de que não era necessária a figura do clero como intermediário entre Deus e os pecadores. Sendo dessa forma, sua idéia original não passava de uma discussão teológica, não tendo necessariamente a função sócio-política que Dauwe crê vislumbrar.

De qualquer forma ambos os pontos de vista são equânimes em dizer que Lutero, o mentor da Reforma, não tinha pretensão de se opor à Igreja, muito menos criar uma nova religião (DAUWE, 2008). O que ele queria era mesmo reformar a velha organização medieval querendo para isso apoio do papa. Como a direção da Igreja não estava a fins de perder o status que tão bem lhe caia desde o início da Idade Média, Lutero foi desacreditado, combatido e posteriormente excomungado. Contudo, e eu acho que aí começa realmente a tomar corpo a função política da Reforma, o povo e principalmente os governantes locais passaram a ver na Reforma uma boa opção para libertar-se do jugo da Igreja. Dauwe deixa isso bem claro quando diz que “os príncipes germânicos perceberam que as idéias de Lutero eram um ótimo pretexto para tomar terras da Igreja e de seus inimigos” (2008, p. 59). Nessa mesma linha Oliveira (2000) complementa “Foi nesse clima de euforia que a partir de 1520 os ensinos reformistas de Lutero dominaram rapidamente a maior parte da Europa”.

Segundo Oliveira (2000) ao mesmo tempo em que Lutero brigava na Alemanha, Calvino contestava a Igreja em Genebra, Guilherme de Orange protestava nos países baixos, John Knox ia à luta na Escócia e o Anglicanismo de Henrique VIII dava um basta na influência da Igreja na Inglaterra. Quer dizer, inúmeros focos revoltosos surgiam por toda a parte. A Igreja não poderia ficar alheia a isso tudo. Contudo segundo Oliveira (2000) a Igreja se achava em estado de tal decadência, e os papas da época tão interessados na vida privada e desinteressados da religião que, por espaço de um quarto de século após o início do movimento reformador, pouquíssimas foram as medidas para reprimi-lo.

4 A CONTRA-REFORMA

Segundo Oliveira (2000) foi no ano de 1541 que a Igreja acordou por fim da sua aparente letargia e passou a empregar medidas mais severas na repressão ao protestantismo. Era o início do que foi chamado posteriormente de contra-reforma. Três foram os meios escolhidos para conter o avanço dos revoltosos: a Sociedade de Jesus, o Concílio de Trento e a Inquisição.

O propósito da Sociedade de Jesus era promover o progresso eclesiástico e lutar contra os inimigos da Igreja por todos os meios possíveis. Era trabalho incessante, num espírito de lealdade ao papa, lealdade essa inquestionável. (OLIVEIRA, 2000). Um dos métodos de operação bastante difundido da Sociedade foi de caráter político. Nos governos católicos os jesuítas passaram a inspirar devoção à Igreja e ódio ao Protestantismo. Esse caráter se viu de forma bastante clara nas Guerras Religiosas que irromperam por toda a Europa nessa época. Outro caráter da Sociedade era o de expandir as fronteiras da Religião catequizando povos pagãos. Foram eles que estiveram educando os índios brasileiros quando do início da exploração de nossa terra.

O Concílio de Trento foi destacado pelo fato de ter sido através do mesmo que a Igreja formulou uma declaração completa da sua doutrina. Embasando a sua batalha contra os dissidentes. Ao final desse concílio havia sido criado o Índex (lista de livros proibidos) e também reforçada a atuação do Tribunal da Inquisição (DAUWE, 2008).

A Inquisição, segundo Dauwe (2008) tinha a tarefa de investigar desvios de fé e também desvios de conduta dos súditos. De acordo com o site Wikipédia.com (2008 a) “Ao contrário do que é comum pensar, o Tribunal do Santo Ofício é uma entidade jurídica e não tinha forma de executar penas. O resultado da inquisição, feita a um réu, era entregue ao poder régio, muitas vezes com o pedido de que não houvesse danos nem derramamento de sangue”. De qualquer forma essa foi uma forma que a Igreja encontrou de desencorajar os fiéis a abandonarem a Fé Católica.

5 CONCLUSÃO

Podemos dizer então, que a principal das reações da Reforma Protestante foi a Contra-Reforma e suas medidas que afetavam a sociedade da época. É uma resposta correta, mas pode soar simplista. Então vamos destacar mais alguns pontos. De acordo com o site Wikipédia.com (2008 b) existiram outros efeitos.

O resultado deste movimento religioso é uma mais fervorosa observação dos princípios morais cristãos tais como eles estão expressos na Bíblia. Os movimentos de zelo religioso que têm lugar na Europa do século XVI são para ser entendidos no contexto do efeito multiplicador iniciado pela invenção da imprensa por Gutenberg. Se a bíblia não estivesse agora acessível a cada um, traduzida nas línguas e dialetos locais, compreensível aos Europeus, tal como ela começou a surgir no século XVI, tal zelo religioso não teria sido possível. Anteriormente ao século XVI, a bíblia era um manuscrito em Latim, (língua dominada por uma minoria) do qual havia poucas cópias, que se encontravam fechadas nos conventos e nas igrejas, lidas por uma elite eclesiástica. A grande maioria da população nunca a tinha lido. No século XVI, ela está disponível em grandes números e nas línguas e dialetos locais. Não é de admirar pois que a religião se torne um tema polêmico.


E segundo Dauwe (2008) houve outro rebento dessa época que pode ser destacado: O capitalismo. Diz ele que diversos estudiosos apontam uma relação muito estreita entre a ética desenvolvida pelos protestantes (principalmente por Calvino) e o desenvolvimento do capitalismo. Como mostrei no trabalho, razões existem para que se possa assim pensar. Libertando os homens da visão do lucro como pecado, o caminho natural foi a instauração do livre mercado e todas as variantes relativas ao referido sistema econômico.

Assim concluo voltando ao pensamento original, de que a reforma protestante, aliada ao Renascimento cultural foi a gênese da Modernidade. Como bem dizia Santos (2008) somente a Reforma Protestante conseguiria saciar a sede espiritual do momento – sede essa que não era sentida apenas pelos intelectuais ou príncipes, mas por todos. O que justifica sua enorme difusão. Apenas a Reforma poderia abalar (como de fato abalou) a mais rígida instituição feudal: a Igreja Católica. Assim, podemos dizer que o tão falado Renascimento Cultural, sozinho não poderia transformar o pensamento medieval em moderno. Dessa forma podemos dizer que a Reforma Protestante é a grande responsável pela mudança de atitude no pensamento e no modo de vida do mundo ocidental.

6 REFERÊNCIAS

DAUWE, Fabiano. Caderno de Estudos: História Moderna. Indaial: Ed. ASSELVI, 2008.

OLIVEIRA, Raimundo Ferreira de. História da Igreja: dos primórdios à atualidade. 4ª ed. Campinas: EETAD, 2000.

SANTOS, Ynaê Lopes dos. A Reforma. Disponível em <http://www.klepsidra.net/klepsidra6/areforma.html> Acesso em: 18 jun. 2008.

WIKIPEDIA.COM(a). Inquisição. Disponível em <http://pt.wikipedia.org/wiki/Inquisi%C3%A7%C3%A3o>. Acesso em 18 jun. 2008.

WIKIPEDIA.COM(b). Reforma Protestante. Disponível em <http://pt.wikipedia.org/wiki/Reforma_Protestante>. Acesso em 18 jun. 2008.

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A ESTATÍSTICA E A ESCOLA 04 12, 2008

Posted by Tiago in ARTIGOS.
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RESUMO: A Estatística como ferramenta do ambiente escolar vista sob o prisma do professor é o tema deste artigo. Procuro conceituar essa ciência e teço um breve comentário sobre o uso que professores e funcionários administrativos de uma escola podem fazer dela.

Palavras chave: Estatística; Métodos; Escola.

1 INTRODUÇÃO

Segundo Gesser & Dalpiaz (2007) estatística é uma parte da matemática aplicada que fornece métodos para coleta, organização, descrição, análise e interpretação de dados e para a utilização dos mesmos na tomada de decisões. Conhecida desde a antiguidade chega à nossa época com um caráter científico peculiar. Transcrevo aqui uma breve linha do tempo da história da estatística que retirei do site do Prof. Paulo Cezar Ribeiro da Silva (2008):

ANTIGUIDADE: os povos já registravam o número de habitantes, nascimentos, óbitos. Dessa forma estavam já a fazer “estatísticas”, mesmo que sem saber. IDADE MÉDIA: as informações eram tabuladas com finalidades tributárias e bélicas. SEC. XVI: surgem as análises sistemáticas, as primeiras tabelas e os números relativos. SEC. XVIII: a estatística com feição científica é batizada por Godofredo Achenwall. As tabelas ficam mais completas, surgem representações gráficas e os cálculos de probabilidades. A estatística deixa de ser uma simples tabulação de dados numéricos para se tornar um estudo de como se chegar a conclusão sobre uma população, partindo da observação de partes dessa população (amostra).

Segundo Gesser & Dalpiaz (2007), no nosso cotidiano freqüentemente usamos a estatística e ás vezes nem nos damos conta. Quando cozinhamos algum alimento e provamos uma pequena parte numa colher para ver como está o tempero, estamos estatisticamente auferindo o todo por uma amostra. Isso é estatística! Nesse artigo tratarei de tecer um breve comentário sobre essa ciência e o uso que pode ter no ambiente escolar. Cabe lembrar também que a estatística não se resume apenas à amostragem, mas para fins de síntese, nesse artigo vou ater-me a esse ramo da estatística.

2 A ESTATÍSTICA E A ESCOLA

De acordo com Junior (2008) vivemos hoje em uma sociedade, em que a todo o momento surgem várias avalanches de novas informações que homens e mulheres têm de processar rapidamente. Para que isso ocorra de forma satisfatória é necessário usar ferramentas adequadas. A estatística surge trazendo em seu bojo a solução para resolver esse problema.

Como disse na introdução a estatística fornece métodos que auxiliam na organização dessas informações. Segundo Silva (2008) método “é um meio mais eficaz para atingir determinada meta” e na estatística destacam-se dois métodos: o experimental e o estatístico. O experimental consiste em manter fixas várias causas menos uma que é variada para que se possam observar seus efeitos. Já o método estatístico surge na eventualidade de não se conseguir manter as causas constantes então “admitem todas essas causas presentes variando-as, registrando essas variações e procurando determinar, no resultado final, que influências cabem a cada uma delas” (Silva, 2008).

Na parte administrativa de uma escola freqüentemente ocorrem situações em que se é preciso fazer mensurações variadas. Por exemplo, determinar a quantidade de alunos que utilizam o transporte coletivo para virem à escola. Numa população pequena é possível fazer uma pesquisa que englobe a totalidade dos alunos, mas no caso de uma escola com milhares de alunos divididos em três ou mais períodos o método mais recomendado seria o da amostragem. Segundo Gesser & Dalpiaz: “Na maioria das vezes, por impossibilidade ou inviabilidade econômica ou temporal, limitamos as observações referentes a uma determinada pesquisa a apenas uma parte da população. A essa parte proveniente da população denominamos amostra” (2007, p.39).

Um ponto negativo dessa forma de pesquisa é que se a amostra não representar bem o todo, acabam-se fazendo predições inexatas. Por isso é importante selecionar cuidadosamente os elementos que serão observados, “de tal forma que os resultados da Amostra sejam informativos, para avaliar características de toda a população” (GESSER & DALPIAZ, 2007, p.39).

Profissionais da parte de apoio pedagógico de uma escola também podem usar a estatística para trabalharem com mais propriedade. Montar gráficos das áreas que são mais carentes de atenção no corpo discente pode ser uma boa arma para atacar os problemas de aprendizado e comportamento de forma mais rápida e eficiente. Deixando ás vezes de trabalhar apenas com os efeitos e indo atacar diretamente as causas desses males.

Contudo a estatística não serve apenas à parte administrativa e pedagógica de uma escola. Nós como professores também podemos e devemos fazer uso dela. Tenho comigo a opinião de que o professor precisa estar sempre se auto-avaliando e também medindo o feedback que recebe dos educandos. Para que os dados provenientes desse tipo de situação possam ser mais bem apreciados, nada melhor que visualizá-los em um gráfico e aí mais uma vez entra a estatística.

Também é interessante fazer um mapeamento geral dos alunos que temos, fica assim mais fácil de selecionarmos métodos eficazes de acordo com cada classe. Por exemplo, se 80% de uma classe tem acesso à informações diariamente, seja através da internet, de jornais, de revistas, do rádio ou da TV, é possível preparar aulas que façam ligação entre o conteúdo a ministrar e a realidade presente no cotidiano. Por outro lado, se apenas uma parcela ínfima têm acesso à esse tipo de ferramenta, talvez seja melhor usar outros métodos, que tenham mais a ver com a realidade daquele grupo de alunos.

Fora da área avaliativa, creio que a estatística também possa ser usada na hora de repassar o conteúdo da sua disciplina. Pedir que os alunos realizem pesquisas e montem gráficos pode ajudar na hora de fixar o conteúdo. Numa aula de ensino religioso, por exemplo, podemos dar o dado de que a maior parte da população de uma determinada localidade professa a religião católica. Os alunos com certeza vão acreditar, mas se fizermos junto a isso uma pesquisa onde eles mesmos encontrem esses dados, certamente o conteúdo será bem mais interiorizado.

Nas aulas de geografia ou sociologia, ou mesmo de história é possível usar a estatística para estudar coeficientes de variação populacional, mensurações variadas do coeficiente de enriquecimento de determinada classe social ou grupo de países, etc. Acredito que levar os alunos a buscarem dados é uma experiência muito mais enriquecedora do ponto de vista do conhecimento, do que apenas fornecer as informações já decodificadas.

3 CONCLUSÃO

Assim como a grande maioria das pessoas que conheço, sempre tive certo receio de trabalhar com números, tabelas, gráficos, símbolos matemáticos, equações, séries estatísticas e afins. Tanto é que para escapar dos números optei por uma licenciatura em História. Mas no decorrer do estudo dessa matéria pude perder um pouco o pavor dos números. Para isso contribuiu o fato que Gesser & Dalpiaz resumem: “A estatística é naturalmente usada em nossa vida diária” (2007, p. 39). Partindo desse ponto de vista foi mais fácil observar e estudar tal conteúdo.

E já que a matemática e conseqüentemente a estatística faz parte do nosso cotidiano, a escola não escapa do rol de locais propícios para a atuação dessa ciência. Como vimos podemos utilizá-la de diversas formas, desde ferramenta de uso administrativo até a promotora de conhecimento em nossas aulas, passando por ferramental importante na auto-avaliação da nossa atuação docente. Do que se conclui que mesmo que venhamos a nos esconder atrás de um livro de história, a matemática com seus insensíveis números ainda há de nos encontrar e nos obrigar a trabalhar com ela.

4 REFERÊNCIAS

GESSER, Prof. Kiliano; DALPIAZ, Profª Márcia Vilma Aparecida Depiné. Caderno de estudos: estatística. Indaial: Ed. ASSELVI, 2007.

JUNIOR, Eimar França de Barros. A pedagogia tradicional e as desigualdades de classe. Disponível em <http://www.nead.unama.br/site/bibdigital/monografias/PEDAGOGIA_TRADICIONAL.pdf> Acesso em 16 fev. 2008.

SILVA, Prof. Paulo Cézar Ribeiro da. A natureza da estatística. Disponível em <http://www.geocities.com/pcrsilva_99/2A1.HTM> Acesso em 20 nov. 2008.

A HISTÓRIA E A CULTURA DA ÁFRICA E SUAS IMPLICAÇÕES COM A CULTURA BRASILEIRA NA ATUALIDADE 15 09, 2008

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Cultura Africana

Cultura Africana

Imagem retirada de: http://toqatodos-cultura.blogspot.com/2008/05/dia-da-frica.html

OU: O QUE A SUPOSTA IDENTIDADE CULTURAL BRASILEIRA DEVE ÀOS AFRICANOS, OU À ÁFRICA DE UM MODO GERAL, ENQUANTO CULTURA HISTÓRICAMENTE COMPROVADA? 

 

 

 

 

RESUMO: A cultura de um país é formada pela cultura de cada um dos seus habitantes. É desse ponto de vista que partimos para responder a pergunta do subtítulo do nosso artigo. O que nós herdamos dos Africanos? Sabemos que é impossível mensurar a quantidade exata dessa influência, portanto tentaremos discorrer brevemente sobre três principais áreas de atuação: a linguagem, a culinária e o folclore, itens significativos da cultura de qualquer país.

Palavras chave: África; Brasil; Cultura.

1 INTRODUÇÃO

Sabemos que existe uma história da África que antecede o tráfico de escravos para o nosso país. Sabemos também que nosso país tem uma cultura anterior a esse mesmo fato aí citado. E sabemos também que após a ocorrência da vinda desses escravos iniciou-se a construção do que hoje chamamos de identidade cultural afro-brasileira. Contudo eu vou além, ouso dizer que o que veio após a chegada dos primeiros negros aqui não foi o nascimento apenas da cultura afro-brasileira, mas sim o princípio da cultura brasileira. Para melhor ilustramos essa afirmação basta observamos nosso cotidiano. Se analisarmos reflexivamente a nossa atualidade, veremos que a influência da história cultural africana está presente em todos os aspectos da sociedade dita moderna. Não há mais possibilidade de desvincular a cultura brasileira da africana, da indígena ou da européia.

Para ficar mais fácil de entendermos precisamos antes definir o que é cultura. Para Sérgio Grigoletto (2008) “Cultura é um conjunto de valores nos indivíduos de uma determinada sociedade, transmissíveis de forma não biológica”. Sei que o que se pede aqui é a influência da História Africana como um todo, contudo para tornar o entendimento mais significativo, vou me ater a uma análise da cultura africana como produto da sua história. Assim baseado nisso podemos dizer que cultura africana é: os valores inerentes à sociedade Africana. Mas aí a gente esbarra em um problema conceitual. Sabemos que a palavra África é muito pequena pra designar a complexidade cultural nela inserida, quer dizer quando se fala em África geralmente colocamos dúzias de estados independentes, dezenas de etnias diferentes e centenas de “culturas” distintas na mesma panela conceitual. Da mesma maneira ao tentarmos definir o que é cultura brasileira chegamos ao mesmo beco sem saída. Sendo o Brasil um país colonizado e “fabricado” por diferentes pessoas, portadoras de distintas culturas, como então se referir a “uma” cultura brasileira? Por isso volto ao que disse no início, não dá pra desvincular o Brasil de hoje do seu passado “promíscuo” culturalmente falando.

Para tentar resolver esse impasse citado no parágrafo anterior, vamos desambiguar. Nesse artigo quando me referir à cultura africana, eu estarei fazendo menção de um conjunto de costumes, práticas e valores pertencentes aos migrantes forçadamente transladados para a América portuguesa ainda nos idos de 1500. Da mesma forma, quando escrever cultura brasileira, eu estarei falando dos elementos culturais presentes nos atuais “filhos da pátria”. Assim retomando o raciocínio vamos concluindo por ora dizendo então que o presente artigo irá se limitar a três principais pontos de contato entre nossa cultura e a história da África: a linguagem, a culinária e o folclore. Isso porque seria praticamente impossível descrevermos todos os elementos culturais de uma cultura mesclados em outra.

2 LÍNGUA PORTUGUESA DO BRASIL: UM SOPRO AFRICANO EM NOSSO IDIOMA

Segundo Ximenes (2001) a linguagem de uma nação é um organismo vivo, mutável, sujeito a modificações, aberto a interpolações e enxertos de origens diversas. Quer dizer, a língua portuguesa que nós hoje falamos é muito diferente daquela que era falada no início do século passado. Não falo apenas de regras gramaticais, mas também das palavras em si mesmas, já que palavras novas surgem a cada dia, outras deixam de ser utilizadas e outras ainda acabam sendo substituídas. Assim falando fica fácil perceber que a linguagem é uma das áreas mais fáceis de serem influenciadas por alguma cultura estrangeira. Vamos então montar um glossário com alguns exemplos de palavras correntemente utilizadas que tem sua origem nas diversas línguas faladas pelos diferentes povos africanos. A maioria eu encontrei no site Yahoo respostas (2008), todas foram enviadas por usuários do referido site:

A
abará: bolinho de feijão.
acará: peixe de esqueleto ósseo.
acarajé: bolinho de feijão frito (feijão fradinho).
agogô: instrumento musical constituído por uma dupla campânula de ferro, produzindo dois sons.
angu: massa de farinha de trigo ou de mandioca ou arroz.

B
bangüê: padiola de cipós trançados na qual se leva o bagaço da cana.
bangulê: dança de negros ao som da puíta, palma e sapateados.
banzar: meditar, matutar.
banzo: nostalgia mortal dos negros da África.
banto: nome do grupo de idiomas africanos em que a flexão se faz por prefixos.
batuque: dança com sapateados e palmas.
banguela: desdentado.
berimbau: instrumento de percussão com o qual se acompanha a capoeira.
búzio: concha.

C
cachaça: aguardente.
cachimbo: aparelho para fumar.
cacimba: cova que recolhe água de terrenos pantanosos.
Caculé: cidade da Bahia.
cafife: diz-se de pessoa que dá azar.
cafuca: centro; esconderijo.
cafua: cova.
cafuche: irmão do Zumbi.
cafuchi: serra.
cafundó: lugar afastado, de acesso difícil.
cafuné: carinho.
cafungá: pastor de gado.
calombo: quisto, doença.
calumbá: planta.
calundu: mau humor.
camundongo: rato.
candomblé: religião dos negros iorubás.
candonga: intriga, mexerico.
canjerê: feitiço, mandinga.
canjica: papa de milho verde ralado.
carimbo: instrumento de borracha.
catimbau: prática de feitiçaria .
catunda: sertão.
Cassangue: grupo de negros da África.
caxambu: grande tambor usado na dança harmônica.
caxumba: doença da glândula falias.
chuchu: fruto comestível.
cubata: choça de pretos; senzala.
cumba: forte, valente.

D
dendê: fruto do dendezeiro.
dengo: manha, birra.
diamba: maconha.

E
efó: espécie de guisado de camarões e ervas, temperado com azeite de dendê e pimenta.
Exu: deus africano de potências contrárias ao homem.

F
fubá: farinha de milho.

G
guandu: o mesmo que andu (fruto do anduzeiro), ou arbusto de flores amarelas, tipo de feijão comestível.

I
inhame: planta medicinal e alimentícia com raiz parecida com o cará.
Iemanjá: deusa africana, a mãe d’ água dos iorubanos.
iorubano: habitante ou natural de Ioruba (África).

J
jeribata: alcóol; aguardente.
jeguedê: dança negra.
jiló: fruto verde de gosto amargo.
jongo: o mesmo que samba.

L
libambo: bêbado (pessoas que se alteram por causa da bebida).
lundu: primitivamente dança africana.

M
macumba: religião afro-brasileira.
máculo: nódoa, mancha.
malungo: título que os escravos africanos davam aos que tinham vindo no mesmo navio; irmão de criação.
maracatu: cortejo carnavalesco que segue uma mulher que num bastão leva uma bonequinha enfeitada, a calunga.
marimba: peixe do mar.
marimbondo: o mesmo que vespa.
maxixe: fruto verde.
miçanga: conchas de vidro, variadas e miúdas.
milonga: certa música ao som de violão.
mandinga: feitiçaria, bruxaria.
molambo: pedaço de pano molhado.
mocambo: habitação muito pobre.
moleque: negrinho, menino de pouca idade.
muamba: contrabando.
mucama: escrava negra especial.
mulunga: árvore.
munguzá: iguaria feita de grãos de milho cozido, em caldo açucarado, às vezes com leite de coco ou de gado. O mesmo que canjica.
murundu1: montanha ou monte; montículo; o mesmo que montão.
mutamba: árvore.
muxiba: carne magra.
muxinga: açoite; bordoada.
muxongo: beijo; carícia.
massagana: confluência, junção de rios em Angola.

O
Ogum ou Ogundelê: Deus das lutas e das guerras.
Orixá: divindade secundário do culto jejênago, medianeira que transmite súplicas dos devotos suprema divindade desse culto, ídolo africano.

P
puita: corpo pesado usado nas embarcações de pesca em vez fateixa.

Q
quenga: vasilha feita da metade do coco.
quiabo: fruto de forma piramidal, verde e peludo.
quibebe: papa de abóbora ou de banana.
quilombo: valhacouto de escravos fugidos.
quibungo: invocado nas cantigas de ninar, o mesmo que cuca, festa dançante dos negros.
queimana: iguaria nordestina feita de gergelim .
quimbebé: bebida de milho fermentado.
quimbembe: casa rústica, rancho de palha.
quimgombô: quiabo.
quitute: comida fina, iguaria delicada.
quizília: antipatia ou aborrecimento.

S
samba: dança cantada de origem africana de compasso binário (da língua de Luanda, semba = umbigada).
senzala: alojamento dos escravos.
soba: chefe de trigo africana.

T
tanga: pano que cobre desde o ventre até as coxas.
tutu: iguaria de carne de porco salgada, toicinho, feijão e farinha de mandioca.

U
urucungo: instrumento musical.

V
vatapá: comida.

X
xendengue: magro, franzino.

Z
zambi ou zambeta: cambaio, torto das pernas.
zumbi: fantasmas.

Assim como pudemos notar há um leque enorme de palavras que tem sua origem ligada ao continente africano. Algumas já caíram em desuso, mas a grande maioria ainda está entre nós. E essa é uma pesquisa recente, só Deus sabe mensurar exatamente a importância da África para a nossa língua.

3 A CULINÁRIA BRASILEIRA QUE TEM SABOR DE ÁFRICA

A culinária do Brasil tem uma nítida influência africana. É a essa conclusão que chegará quem se propuser a estudar, mesmo que superficialmente o tema. Segundo a Larousse (1995)

O negro introduziu na cozinha o leite de coco-da-baía, o azeite de dendê, confirmou a excelência da pimenta malagueta sobre a do reino, deu ao Brasil o feijão preto, o quiabo, ensinou a fazer vatapá, caruru, mungunzá, acarajé, angu e pamonha. A cozinha negra, pequena, mas forte, fez valer os seus temperos, os verdes, a sua maneira de cozinhar. Modificou os pratos portugueses, substituindo ingredientes; fez a mesma coisa com os pratos da terra; e finalmente criou a cozinha brasileira, descobrindo o chuchu com camarão, ensinando a fazer pratos com camarão seco e a usar as panelas de barro e a colher de pau. Além disso, o africano contribuiu com a difusão do inhame, da cana de açúcar e do dendezeiro, do qual se faz o azeite-de-dendê. O leite de coco, de origem polinésia, foi trazido pelos negros, assim como a pimenta malagueta e a galinha de Angola.

Ainda usando a mesma enciclopédia podemos montar um pequeno quadro com alguns pratos ainda hoje largamente presentes nas cozinhas brasileiras, principalmente no nordeste, e que são originários da África (para não ficar extenso citarei apenas os iniciados com a letra A):
Ado
Doce de origem afro-brasileira feito de milho torrado e moído, misturado com azeite-de-dendê e mel. (No candomblé, é comida-de-santo, oferecida a Oxum).

Aberém
Bolinho de origem afro-brasileira, feito de milho ou de arroz moído na pedra, macerado em água, salgado e cozido em folhas de bananeira secas. (No candomblé, é comida-de-santo, oferecida a Omulu e Oxumaré).

Abrazô
Bolinho da culinária afro-brasileira, feito de farinha de milho ou de mandioca, apimentado, frito em azeite-de-dendê.

Acaçá
Bolinho da culinária afro-brasileira, feito de milho macerado em água fria e depois moído, cozido e envolvido, ainda morno, em folhas verdes de bananeira. (Acompanha o vatapá ou caruru. Preparado com leite de coco e açúcar, é chamada acaçá de leite.) [No candomblé, é comida-de-santo, oferecida a Oxalá, Nanã, Ibeji, Iêmanja e Exu.]

Abará
Bolinho de origem afro-brasileira feito com massa de feijão-fradinho temperada com pimenta, sal, cebola e azeite-de-dendê, algumas vezes com camarão seco, inteiro ou moído e misturado à massa, que é embrulhada em folha de bananeira e cozida em água. (No candomblé, é comida-de-santo, oferecida a Iansã, Obá e Ibeji).

Aluá
Bebida refrigerante feita de milho, de arroz ou de casca de abacaxi fermentados com açúcar ou rapadura, usada tradicionalmente como oferenda aos orixás nas festas populares de origem africana.

Esses são então alguns pratos tipicamente africanos que hoje se encontram visceralmente inseridos na mesa dos brasileiros. Além deles existem inúmeros que por uma questão de espaço não serão citados. Há que se fazer menção, contudo da feijoada, orgulho nacional, que também tem a sua origem ligada à história dos primeiros africanos nas senzalas do período colonial brasileiro. Do que dá pra tirar a conclusão de que no campo da culinária, muito daquilo que hoje a gente considera como tipicamente nacional não passa de apropriação da cozinha africana.


4 A HISTÓRIA DA ÁFRICA MARCA NOSSO FOLCLORE

A frase que abre esse tópico é resultado da pesquisa que realizei pra elaborar esse artigo. Uma definição para a palavra folclore se faz necessária nesse ponto não é? Relembro então uma definição que me foi passada na escola primária: Folclore é uma palavra de origem estrangeira que significa SABER DO POVO, onde Folk=Povo e Lore=Saber. Simples assim. Agora analisemos então o que faz parte do saber do nosso povo.

Destaco em primeiro lugar as lendas que nos foram legadas por nossos antepassados. Vamos citar apenas duas. A primeira que me vem à mente é a do negrinho do pastoreio. Extremamente conhecida e que a primeira vista tem um alto teor de História da África a envolvê-la. Explico-me, a lenda conta a história de um negrinho, escravo, que com certeza tinha origem Africana. Assim apenas por isso, já dá pra dizer que a essa lenda envolve a História da África, pois qual é o fato da história do continente vizinho que até pouco tempo era único no objetivo de unir nossas historias? A escravidão.

Passemos agora para a outra lenda, esta foi extraída do site Diário de Lisboa:

Quibungo
É uma espécie de monstro, meio homem, meio bicho. Tem a cabeça enorme e um grande buraco no meio das costas, que se abre e fecha conforme ele abaixa e levanta a cabeça. Come pessoas, especialmente crianças e mulheres, abrindo o buraco e atirando-as dentro dele.
O quibungo, também chamado kibungo ou chibungo, é mito de origem africana que chegou ao Brasil através dos bantus e se fixou no estado da Bahia. Suas histórias sempre surgem em um conto romanceado, com trechos cantados, como é comum na literatura oral da África. Em Angola e Congo, quibungo significa “lobo”.
Curiosamente, segundo as observações de Basílio de Magalhães, as histórias do quibungo não acompanharam o deslocamento do elemento bantu no território brasileiro, ocorrendo exclusivamente em terras baianas. Para Luís da Câmara Cascudo, apesar da influência africana ser determinante, “parece que o quibungo, figura de tradições africanas, elemento de contos negros, teve entre nós outros atributos e aprendeu novas atividades”.
Extremamente voraz e feio, não possui grande inteligência ou esperteza. Também é muito vulnerável e pode ser morto facilmente a tiro, facada, paulada ou qualquer outra arma. Covarde e medroso morre gritando, apavorado, de forma quase inocente.

Apesar de não estar presente no país todo, ainda é uma história muito comum na Bahia e em alguns estados do nordeste sendo, portanto considerada como parte do folclore brasileiro.

Outra referência que devemos citar ao falarmos de folclore são as manifestações artísticas. Logo acima nas palavras de origem africana nós citamos o samba. Esse é o representante maior no cenário artístico. Ainda hoje o Brasil é conhecido mundialmente como o país do futebol e do samba. Mas aí perguntamos: que História da África há por detrás do samba? Vamos aos fatos. Segundo o site Sua Pesquisa (2008) o samba é uma adaptação das danças e dos cantos tribais dos primeiros escravos a aportarem no Brasil. Aqui ele sofreu variadas mutações até chegar ao estilo que hoje nós conhecemos. A partir daí é possível fazer uma dedução lógica, se eram cantos tribais por certo tinham a sua significância histórica. Todas as sociedades procuram um meio artístico para representarem sua história. Concordamos que por vezes o resultado é idealizado, mitológico, romanceado ou fantasioso, contudo não pode ser desconsiderado como material histórico. Do que podemos concluir que o samba, por ser descendente dessas manifestações culturais pode ser considerado um belo exemplo disso tudo que estamos tentando demonstrar.

Poderíamos ainda discorrer sobre a capoeira, contudo considero a capoeira mais uma arte marcial do que uma manifestação artística. Mas vale o registro como fato ligado à História dos primeiros escravos africanos no Brasil que aperfeiçoaram a luta como forma de resistência aos dominantes. A música e a dança, na qual a luta pretendeu se esconder servia apenas para mascarar o verdadeiro caráter da capoeira, como dizia Mestre Palhinha “A capoeira é antes de tudo luta, e luta violenta” (abrasoffa.org, 2008).

5 CONCLUSÃO

Como temos visto a influência da História Cultural da África é muito nítida na cultura do nosso país. Citamos exemplos de palavras usadas na nossa língua pátria que vieram dos africanos, também elencamos ingredientes culinários provenientes do continente vizinho e concluímos citando algumas manifestações folclóricas brasileiras ligadas à cultura da África. Conforme vimos então são vários os exemplos que nos permitem fazer uma tentativa de responder a pergunta inicial do artigo: O que nossa cultura herdou da África? Muita coisa! Não dá para citarmos um percentual, mas aquilo que hoje consideramos como Cultura Brasileira, identidade cultural nacional, ou qualquer conceito do gênero está definitivamente vinculado à História da África, que nos foi ligada a partir do momento em que o primeiro escravo africano pisou em solo tupiniquim. É claro que todas as demais levas de emigrantes ajudaram a formar esse mosaico de culturas diversas que por incrível que pareça forma uma ampla, complexa e única cultura nacional.

6 REFERÊNCIAS

ABRASOFFA. A história da capoeira. Disponível em <<http://www.abrasoffa.org.br/folclore/danfesfol/capoeira.htm>>. Acesso em 08 de setembro de 2008.

DIÁRIO DE LISBOA. Mitos e Lendas daqui e de lá. Disponível em <<http://thelisbongiraffe.typepad.com/diario_de_lisboa/2006/09/mitos_e_lendas__2.html>>. Acesso em 08 de setembro de 2008.

GRIGOLETTO, Sérgio. O que é cultura (2). Disponível em: <<http://www.clubeletras.net/blog/cultura/o-que-e-cultura-2/>> Acesso em 08 de setembro de 2008.

LAROUSSE, Grande Enciclopédia Cultural. Sociedade e Cultura. São Paulo: Nova Cultural, 1995.

SUA PESQUISA. A história do Samba. Disponível em <<http://www.suapesquisa.com/samba/>>. Acesso em 08 de setembro de 2008.

XIMENES, Sérgio. Dicionário da Língua Portuguesa. 3ª ed. São Paulo: Ediouro, 2001.

YAHOO RESPOSTAS. Palavras Africanas. Disponível em <<http://br.answers.yahoo.com/search/search_result;_ylt=Ai3bxNmMl5WnUtf2kKtWHdPx6gt.;_ylv=3?p=palavras+africanas+>>. Acesso em 08 de setembro de 2008.