A ESTATÍSTICA E A ESCOLA

RESUMO: A Estatística como ferramenta do ambiente escolar vista sob o prisma do professor é o tema deste artigo. Procuro conceituar essa ciência e teço um breve comentário sobre o uso que professores e funcionários administrativos de uma escola podem fazer dela.

Palavras chave: Estatística; Métodos; Escola.

1 INTRODUÇÃO

Segundo Gesser & Dalpiaz (2007) estatística é uma parte da matemática aplicada que fornece métodos para coleta, organização, descrição, análise e interpretação de dados e para a utilização dos mesmos na tomada de decisões. Conhecida desde a antiguidade chega à nossa época com um caráter científico peculiar. Transcrevo aqui uma breve linha do tempo da história da estatística que retirei do site do Prof. Paulo Cezar Ribeiro da Silva (2008):

ANTIGUIDADE: os povos já registravam o número de habitantes, nascimentos, óbitos. Dessa forma estavam já a fazer “estatísticas”, mesmo que sem saber. IDADE MÉDIA: as informações eram tabuladas com finalidades tributárias e bélicas. SEC. XVI: surgem as análises sistemáticas, as primeiras tabelas e os números relativos. SEC. XVIII: a estatística com feição científica é batizada por Godofredo Achenwall. As tabelas ficam mais completas, surgem representações gráficas e os cálculos de probabilidades. A estatística deixa de ser uma simples tabulação de dados numéricos para se tornar um estudo de como se chegar a conclusão sobre uma população, partindo da observação de partes dessa população (amostra).

Segundo Gesser & Dalpiaz (2007), no nosso cotidiano freqüentemente usamos a estatística e ás vezes nem nos damos conta. Quando cozinhamos algum alimento e provamos uma pequena parte numa colher para ver como está o tempero, estamos estatisticamente auferindo o todo por uma amostra. Isso é estatística! Nesse artigo tratarei de tecer um breve comentário sobre essa ciência e o uso que pode ter no ambiente escolar. Cabe lembrar também que a estatística não se resume apenas à amostragem, mas para fins de síntese, nesse artigo vou ater-me a esse ramo da estatística.

2 A ESTATÍSTICA E A ESCOLA

De acordo com Junior (2008) vivemos hoje em uma sociedade, em que a todo o momento surgem várias avalanches de novas informações que homens e mulheres têm de processar rapidamente. Para que isso ocorra de forma satisfatória é necessário usar ferramentas adequadas. A estatística surge trazendo em seu bojo a solução para resolver esse problema.

Como disse na introdução a estatística fornece métodos que auxiliam na organização dessas informações. Segundo Silva (2008) método “é um meio mais eficaz para atingir determinada meta” e na estatística destacam-se dois métodos: o experimental e o estatístico. O experimental consiste em manter fixas várias causas menos uma que é variada para que se possam observar seus efeitos. Já o método estatístico surge na eventualidade de não se conseguir manter as causas constantes então “admitem todas essas causas presentes variando-as, registrando essas variações e procurando determinar, no resultado final, que influências cabem a cada uma delas” (Silva, 2008).

Na parte administrativa de uma escola freqüentemente ocorrem situações em que se é preciso fazer mensurações variadas. Por exemplo, determinar a quantidade de alunos que utilizam o transporte coletivo para virem à escola. Numa população pequena é possível fazer uma pesquisa que englobe a totalidade dos alunos, mas no caso de uma escola com milhares de alunos divididos em três ou mais períodos o método mais recomendado seria o da amostragem. Segundo Gesser & Dalpiaz: “Na maioria das vezes, por impossibilidade ou inviabilidade econômica ou temporal, limitamos as observações referentes a uma determinada pesquisa a apenas uma parte da população. A essa parte proveniente da população denominamos amostra” (2007, p.39).

Um ponto negativo dessa forma de pesquisa é que se a amostra não representar bem o todo, acabam-se fazendo predições inexatas. Por isso é importante selecionar cuidadosamente os elementos que serão observados, “de tal forma que os resultados da Amostra sejam informativos, para avaliar características de toda a população” (GESSER & DALPIAZ, 2007, p.39).

Profissionais da parte de apoio pedagógico de uma escola também podem usar a estatística para trabalharem com mais propriedade. Montar gráficos das áreas que são mais carentes de atenção no corpo discente pode ser uma boa arma para atacar os problemas de aprendizado e comportamento de forma mais rápida e eficiente. Deixando ás vezes de trabalhar apenas com os efeitos e indo atacar diretamente as causas desses males.

Contudo a estatística não serve apenas à parte administrativa e pedagógica de uma escola. Nós como professores também podemos e devemos fazer uso dela. Tenho comigo a opinião de que o professor precisa estar sempre se auto-avaliando e também medindo o feedback que recebe dos educandos. Para que os dados provenientes desse tipo de situação possam ser mais bem apreciados, nada melhor que visualizá-los em um gráfico e aí mais uma vez entra a estatística.

Também é interessante fazer um mapeamento geral dos alunos que temos, fica assim mais fácil de selecionarmos métodos eficazes de acordo com cada classe. Por exemplo, se 80% de uma classe tem acesso à informações diariamente, seja através da internet, de jornais, de revistas, do rádio ou da TV, é possível preparar aulas que façam ligação entre o conteúdo a ministrar e a realidade presente no cotidiano. Por outro lado, se apenas uma parcela ínfima têm acesso à esse tipo de ferramenta, talvez seja melhor usar outros métodos, que tenham mais a ver com a realidade daquele grupo de alunos.

Fora da área avaliativa, creio que a estatística também possa ser usada na hora de repassar o conteúdo da sua disciplina. Pedir que os alunos realizem pesquisas e montem gráficos pode ajudar na hora de fixar o conteúdo. Numa aula de ensino religioso, por exemplo, podemos dar o dado de que a maior parte da população de uma determinada localidade professa a religião católica. Os alunos com certeza vão acreditar, mas se fizermos junto a isso uma pesquisa onde eles mesmos encontrem esses dados, certamente o conteúdo será bem mais interiorizado.

Nas aulas de geografia ou sociologia, ou mesmo de história é possível usar a estatística para estudar coeficientes de variação populacional, mensurações variadas do coeficiente de enriquecimento de determinada classe social ou grupo de países, etc. Acredito que levar os alunos a buscarem dados é uma experiência muito mais enriquecedora do ponto de vista do conhecimento, do que apenas fornecer as informações já decodificadas.

3 CONCLUSÃO

Assim como a grande maioria das pessoas que conheço, sempre tive certo receio de trabalhar com números, tabelas, gráficos, símbolos matemáticos, equações, séries estatísticas e afins. Tanto é que para escapar dos números optei por uma licenciatura em História. Mas no decorrer do estudo dessa matéria pude perder um pouco o pavor dos números. Para isso contribuiu o fato que Gesser & Dalpiaz resumem: “A estatística é naturalmente usada em nossa vida diária” (2007, p. 39). Partindo desse ponto de vista foi mais fácil observar e estudar tal conteúdo.

E já que a matemática e conseqüentemente a estatística faz parte do nosso cotidiano, a escola não escapa do rol de locais propícios para a atuação dessa ciência. Como vimos podemos utilizá-la de diversas formas, desde ferramenta de uso administrativo até a promotora de conhecimento em nossas aulas, passando por ferramental importante na auto-avaliação da nossa atuação docente. Do que se conclui que mesmo que venhamos a nos esconder atrás de um livro de história, a matemática com seus insensíveis números ainda há de nos encontrar e nos obrigar a trabalhar com ela.

4 REFERÊNCIAS

GESSER, Prof. Kiliano; DALPIAZ, Profª Márcia Vilma Aparecida Depiné. Caderno de estudos: estatística. Indaial: Ed. ASSELVI, 2007.

JUNIOR, Eimar França de Barros. A pedagogia tradicional e as desigualdades de classe. Disponível em <http://www.nead.unama.br/site/bibdigital/monografias/PEDAGOGIA_TRADICIONAL.pdf&gt; Acesso em 16 fev. 2008.

SILVA, Prof. Paulo Cézar Ribeiro da. A natureza da estatística. Disponível em <http://www.geocities.com/pcrsilva_99/2A1.HTM&gt; Acesso em 20 nov. 2008.

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Sobre Tiago

Brasileiro, casado, vinte e poucos anos, escritor por obrigação e prazer, professor, curioso, eclético em matéria de música, adora livros e filmes inteligentes, cristão-evoluteísta (isso existe?), gosta de política, já sonhou ser presidente do Brasil. Hoje se contenta em contribuir para o crescimento vegetativo da população tendo dado o seu contributo em duas ocasiões. Belíssimas ocasiões, diga-se de passagem!
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4 respostas para A ESTATÍSTICA E A ESCOLA

  1. Vanessa disse:

    Oie euu queriaa alguma coisa q falasse sobre um projeto estatistico aplicado em uma escola que contenha objetivos tabelas graficos e resultado final …
    Poderia me ajudar…
    Desde já muitoh obrigada…

  2. Boa tarde!
    Eu estou fazendo um relatório Estatístico para saber como VAMOS TRABALHAR E PESQUISAR TEMAS PARA LEVAR AOS NOSSOS ALUNOS DAS SÉRIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL.
    Mas a professora quer ,que façamos um relatório feito com ás proprias palavras e usar um gráfico qualquer.Ela quer o seguinte:

    Para interpretar rapidamente as informações contidas em televisão, revistas e jornais, temos de dominar essa linguagem estatística, que utiliza números, palavras e recursos gráficos. E seus alunos precisam conhecê-la. A capacidade de ler e também de produzir gráficos e tabelas faz parte do que se considera hoje a alfabetizaçã matemática. Atividades sobre o conteúdo devem estar presentes em todo o Ensino Fundamental, adaptadas ao nível de cada turma. Elas envolvem uma série de outros conhecimentos, como saber ler dados numéricos e ter familiaridade com medidas, proporcionalidade e porcentagens. Em algumas situações, é necessário ainda compreender e conhecer ângulos.

    Aqui tem um desenhos de alguns gráficos falando ada TV, geladeira, computador, saneamento básico e indice de desemprego em todo o país.

    Muitas vezes as informações nos são apresentadas como nos desenhos acima.

    a) Destaque em cada um deles que tipo de conteúdo matemático ou estatístico os envolve.

    b) Estabeleça algumas conclusões sobre cada um dos dados fornecidos nestes exemplos acima.

    c) Se tivesse que escolher um deles para trabalhar com seus alunos em sala de aula, qual deles escolheria e como iria desenvolver esta atividade?

    d) Traga outro exemplo diferente dos colocados acima, na forma de desenho, contendo informações envolvendo o tratamento de informações. Justifique esta sua escolha, e como você abordaria o tema com os alunos.

    Por favor, me mande alguma coisa para mim. É urgente!

  3. Heloiza disse:

    Esse texto me ajudou bastante, muito obrigaduu.. bjão.. =*

  4. duda disse:

    meu trabalho tá pronto!

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